domingo, janeiro 30, 2011

Preciso dizer seu nome e você precisa me chamar, de volta.

Hoje eu tinha que postar a continuação de um conto que escrevi no último post, na verdade eu tenho o conto escrito aqui até a quarta ou quinta parte, mas eu não quero posta-lo.

Estou sumida dos blogs, desculpem-me, mas o tempo tem fugido de mim.

Beijos.

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Você lembra as dores que eu sentia? Das vezes que me deixei suspirar por você deixando você pensar que sabia me dar prazer sendo que meu maior prazer era fingir para você que sou difícil assim, que não gemo alto. Você lembra?

Das dores que eu sentia nos dedos do pé, no canto da cabeça, dentro do sutiã, no meu interior. De cada dor que eu sentia, em te ver em outros barcos, navegando por outros corpos e não importaria quantas navegações fizesse as dores sempre seriam as mesmas, o meu eu mulher que quer ser a A e não a Tal, não me deixa em paz e dor, a dor é sempre a mesma quando te vejo depois de muito tempo e não importa se os outros que tive me fizerem a mesma coisa, pra mim sempre será você no final ao lado pódio me dizendo eu te disse, abraçando outra e sussurrando, eu te amo.

Culpar-te-ei pelo fim da humanidade, te culparei por passar as tuas mãos cálidas e rígidas em tantas pernas em outros mares, mas sentarei atrás da porta, escutarei os teus desejos, os dela também e sei que vai doer, amor, agora dói e eu gosto quando dói, pois eu cresço um pouco, vejo que não aprendi, sei que pra homem é bonito e mesmo eu, sendo uma mulher pra frente, apenas sento para escutar, sento para ver a dor passar, mas na maioria das vezes a dor senta para me ver sentir, não sou eu aqui na sua porta te esperando terminar o teu ato sexual, não sou eu quando te espero do outro lado da linha, não eu quando passo minha mão pelo meu corpo fechando olhos pedindo há algum Deus do sexo que realize meu desejo, que faça dos meus dedos os seus que faça do lençol gelado ao meu lado o teu corpo quente, mas não sou eu. Não eu quando te escrevo sobre minhas dores, não seu quando te olho com olhos de pena, não eu quanto minto para os amigos e digo que tenho muitas coisas pra fazer e que hoje não da, e desligo o telefone, vou me deitar, o remédio é esperar e pra cima olhar, afinal quem foi o babaca que disse que as coisas boas vêm de cima? De cima? Da tinta branca? Não sei amor, não sou eu.

É a dor.

É a dor de ver você em cada homem que vejo.

É a dor de não ter você.

É a dor pensar que você pode ser pra sempre o “nunca mais”.

É a dor quando fico feliz por você estar feliz.

É a dor que me diz vai, tenta, esse pode ser o cara e ai, é a dor que me mostra que cai mais uma vez nesse mar de lembranças que tenho de você, a dor é a mesma, o causador talvez não, mas a fonte é você.

Não sou eu quando sinto dor. É a dor que sinto que faz com que tudo mude que as palavras venham em mente, que combinem, e assim o toque final. É a dor que sinto que faz com que eu seja mais anormal, que faça as malas sempre e não saia nunca. É a dor que sinto que me faz sentir fé nas manhas e faz querer altas doses de remédio ao fim do dia, porque já não tenho mais alegria, apenas dor. É a dor que me tira do estado de paz e fé, é a dor que me coloca no estado de paz e fé.

É a dor da saudade. É a dor da realidade. É a minha dor moradora de mim, que me faz ser assim. Eu não sou eu quando sinto dor. Eu não sou eu na maioria das vezes.

Não sou eu quase nunca. Não sou eu... Faz tempo.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

É o casamento. Capítulo primeiro.

 

Maldito seja o teu vestido cinza.

 

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- E você vai nesse casamento?- a mulher alta com os cabelos loiros até a cintura perguntou pra ruiva.

-Eu vou né Re, depois daquela bronca que ele deu há de mim se não for a esse casamento- a ruiva responde enquanto entrava em uma loja.

-Mas você vai comprar aqui?-Renata pergunta com desprezo.

- E você quer que eu compre aonde? Aqui tem umas roupas em promoção e é o que eu posso pagar...

-Mas Louise... Olha- Renata tenta terminar a frase, mas Louise não deixa.

-Para! Ou se não, não vou mais pra casamento nenhum, ficarei em casa assistindo a reprise da penúltima temporada de 24hrs.

-Aff!- Renana se afasta olhando algumas roupas.

-E não faz “aff” para o meu Jack!

-Quem é seu Jack?- Renata pergunta.

Louise finge que não ouviu e vai olhar os vestidos em promoção.

“Esse é muito curto. Nossa, esse é lindo, quanto será? 79,00! Um assalto, chamem a polícia.”- Louise pensa.

Depois de meia hora Louise acha uns três vestidos que lhe cairiam bem e vai para o provador.

-E ai achou?- Renata pergunta.

-Acho que sim, da uma olhada. - Louise mostra os vestidos.

-Lo... Esse cinza não é bonito, mas olha esse preto aqui tomara que caia que eu achei, é show!- Renata mostra o vestido que encontrou.

Louise não gosta da ideia, passou horas escolhendo aqueles vestidos para Renata chegar olhar para lado e encontrar um perfeito, mas resolveu deixar pra lá, afinal o vestido era mesmo lindo e não estava caro- Me da aqui, é... - Segurou o vestido, era preto tomara que caia básico, mas tinha dois bolsinhos na frente, era social, mas não tanto, curto, mas não tanto, estava barato, mas nem tanto. - Vou experimentar- Louise disse.

-Vai lá vou procurar uma sutiã sem alça pra você. – Renata se afastou.

-Ok.

Louise esperou quinze minutos na fila do provador até chegar a sua vez.

- quatro peças né? – funcionaria da loja perguntou.

-Sim são quatro.

Então a funcionara entregou um cartão vermelho com o número quatro e liberou Louise para o provador. Louise entrou em um corredor branco e muito bem iluminado com vários provadores, olhou e procurou, mas onde estava o provador livre?

-Moça!- Louise chama a funcionaria.

-Sim- A moça responde.

-Onde está o provador?

A moça com a feição cansada e pensou que Louise só poderia está brincando, mas respirou fundo e respondeu- Senhora a sua frente tem um provador livre.

Louise ficou até as pontas dos cabelos vermelha de vergonha, e isso era fácil de fazer, era ruiva.

“Puta merda que mico, o negocio na minha frente e eu perguntando onde estava; nossa estou no provador para deficiente, espero que não apareça nenhum agora, meu Deus que provador enorme!”

Louise colocou a bolça em cima de um banco branco e depois tirou o celular rosa da sansung que estava no bolço de trás da sua calça jeans preta. Em seguida começou a tirar o tomara que caia e em seguida as calças e depois pegou os vestidos- vou experimentar qual? Bem, vou começar pelo cinza, vamos ver se a sua prima tinha razão sobre ele.

O vestido cinza era mesmo um desastre de feio, além de que o zíper, que ficava na parte de trás, não queria fechar de jeito nenhum, Louise para ver se o vestido ficava bonito fechado resolveu insistir, era teimosa como uma criança mimada de dois anos, e continuou tentando subir o zíper colocou tanta força nos dedos que esses já estavam vermelhos, até que uma hora o vestido foi e Louise sem esperar por esse fato, ainda colocando força no zíper, perdeu o equilíbrio caiu para fora do provador levando a cortina com peso do corpo.

-AAAh!- E Louise já estava no chão.

Continua.

Obs.

Dedico esse conto a minha mãe, e as lojas de roupas e aos seus provadores, ao meu vestido preto que encontrei ao acaso na loja, e aos provadores para deficientes, eles foram a minha inspiração.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Não se preocupe, eu também sou assim.

 

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Deve ser a cor das cortinas, a comida na mesa ou seu cheiro. Algo no ar, no saber, no tecido. Preposições. Suposições. Interjeições.

Às vezes é tão bom ser triste, ter seu canto certo na cama, ter o seu cheiro no travesseiro, dormi nu, comer pizza sem usar talheres, assistir um filme que já cansou de ver e ter aquelas depressões básica após vê-los.

Nem sempre ter tudo significa possuir tudo, estar acompanhado e não estar só às vezes parece obvio, mas também ser só no meio da multidão pode ser clichê.

São pessoas, são pessoas, pessoas. Elas quem vem, entram na sua vida assim “Não quero nada, mas tem açúcar ai?”.

“Claro que tenho está na geladeira, entre a solidão e a bebida, bem no meio, pode entrar e pegar, pode sentar e beber se quiser, pode ter minha amizade, minha confiança, pode me abraçar e depois me ver chorar, não sei o que esse último tem a ver mas as pessoas se sentem mais intimas depois que veem alguém próximo chorar, e ai eu irei confiar em você porque você me assistiu chorar, me abraçou, porque você me fez rir, por que você mora aqui ao lado e tem as palavras certas, ou por que você mora longe e quando vem a alegria se faz presente”

Você vai concordar sentar, beber e secar a garrafa de vinho e as minhas lagrimas, abraçar meu corpo e minha vida, sentar na minha sala ao meu lado. Será meu amigo.

E um dia você vai encontrar alguém ou ira mudar, sei lá terá uma crise de adolescente ou quem sabe de meia idade? E ai vai decidir mudar tudo e as pessoas só mudam quando tiram o passado ou coisas que fazem lembrar o passado, da vida delas. Então você que está lendo e eu, somos isso- pessoas que um dia são boas e servem para algo, que um dia são amigas e que deixa que alguém, cujo o seu coração acredita ser especial, sentar ao seu lado e assistir a sua vida passar, não no BBB mas na realidade mesmo, nos bastidores, ao vivo.

Apegamo-nos e achamos que tudo é para sempre, o primeiro amor, o amigo, a amiga, a vizinha, e o vizinho, mas no final sempre será só você, sentada em uma sala olhando para as janelas pensando que deve ser a cor das cortinas, a comida na mesa ou seu cheiro. Algo no ar, no saber, no tecido. Preposições. Suposições. Interjeições. Ou na verdade é que a vida muda o tempo inteiro e não sabemos, nem por onde começar quando começamos a ser egoístas, eu sou você é, somos.

Seja o amor que se foi, a amiga que te traio ou amigo que comeu a sua mulher. Queremos sempre crer que a pessoa ao lado não sente inveja, ciúmes ou que não tem vontade de ser feliz também. Não pensamos nem um pouco, nem por um segundo que alguém pode está sentindo a nossa falta, que somos o melhor amigo de alguém o amor da vida de alguém, aliás, não nos damos conta nem que existem pessoas ao redor por que o assunto é sempre... O que queremos? O que eu preciso? E o que eu sinto?

terça-feira, janeiro 25, 2011

Esqueça

E por hoje vamos deixar as bebidas de lado, as saudades, as incertezas e as certezas também, guardaremos os amores, esconderemos as cicatrizes. Iremos sorrir cantar e depois sentaremos na grama e olharemos o sol sendo engolido pelo mar, se você puder sentira uma quentura em seu peito, uma paz no coração e uma leveza em seu corpo. Se conseguir deixar todas as angustias de lado, se só por hoje não chorar e não remoer nada se puder olhar a beleza do mundo assim, como uma criança e se sentir feliz com isto. Eu digo meu amigo, hoje você deixou que Deus se aproximasse mais ainda de você.

domingo, janeiro 23, 2011

Lab.

Então não dá pra não chorar quando quem vai embora diz adeus, não pra tirar o dedo quando a panela está quente, não sei não falar de amor, e não dizer que não tenho saudade, só sei mentir pra mim, dizer que sei das coisas e que está tudo bem, que o dedo não queimou, que eu não estou chorando, que quero que você seja feliz, eu sei mentir, e sei que sei que estou mentindo.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Eu sou um guarda- roupa moreninho com quatro gavetas.

 

 

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Dias da semana tem sua cara, dias da semana tem características com seus afazeres, afazeres de quem faz de quem tem o que fazer. A cama estava sedutora, e o barulho da rua se confundia com som da chuva. Fiquei alguns minutos tentando separar a chuva das pessoas, o som do barulho, meu corpo da cama. Mas tem dias da semana ou do mês, que você não sabe direito porque, mas tudo pode acontecer que nada vai deixar você animado a ponto de largar a cama, quem sabe ganhar na mega-sena? Um amor antigo que volta... Ser bruxa pra limpar tudo em passo de mágica? Talvez, talvez, mas por hoje não saio daqui. Não há musica que faça o animo dominar o corpo, não há comida que de fome ao estomago e não há coragem que chegue, não basta e nada seria suficiente.

Tem dias que somos assim, acordamos bagunçados, como a louça na pia que não foi lavada, as roupas que aguardam serem postas na maquina, os cabelos que já passaram dos sete anos e caíram e o pó trazido por ventos distantes que pairam sobre nossos móveis caros parcelados em vinte e quatro vezes sem juros e sem entrada. Já disse uma vez que fui há uma palestra e lá um senhor disse que quando arrumamos a casa colocamos nosso eu em ordem? Se não disse, acho que disse agora. Talvez meu guarda-roupa, como já disse uma vez, seja o meu coração esperando por ser arrumado. As partes dos livros estão em ordem, todos dentro de sacos, bem cuidados para não ter problemas com poeiras, todas as histórias plastificadas dentro do meu guarda roupa ou meu coração? Se esse é único móvel da casa que guarda tudo que uso, leio perfume e escrevo. As outras partes estão bagunçadas, amassadas, cheirosas e desorganizadas. Por mais que eu saiba que se arrumar talvez algo dentro de mude não tenho forças, isso deve se chamar preguiça ou falta de vontade. A minha autoestima me mata “pra que arrumar? Você é mais que um mero guarda roupa” é verdade eu sou mais que um mero guarda roupa de seis portas, eu sou o guarda roupa de seis portas e quatro gavetas, com apenas uma parte arrumada, as palavras, as lembranças e as saudades; estão todas plastificadas para não pegar pó e estão por ordem alfabética. Estão arrumadas por que são as únicas coisas que não posso mudar as saudades, lembranças e palavras ditas debaixo de uma árvore em algum parque em uma quarta-feira atarde que tem a minha cara e a dele. Até posso ver aquela quarta-feira ali plastificada entre “perguntas de por que não me amas” e “respostas das perguntas que fiz”- eu disse, está tudo por ordem alfabética.

Então enquanto caminho para arrumação, sim sai da cama, abro todas as portas e os sacos de lixo também, convido alguns músicos também para me ajudar, esses estão dentro de pastas, o computador precisa ser arrumado. Talvez tudo precise ser arrumado porque há alguma coisa entre a bagunça e a preguiça (além de catorze letras) que faz com que eu pense que está na hora de me encontrar, tudo em minha volta não tem nada mais e nada menos que minha feição, meu corpo com minhas celulites e quilos amais e as minhas oscilações de humor com risadas e choros.

E em cada objeto no lugar devido quer dizer algo superado ou não, se estiver no lugar errado ou escondido, talvez seja algo que quero evitar, pensando nisso é bom ir dar uma olhada e ver o que estou escondendo de baixo da cama, nas caixas ou de baixo do tapete, afinal estou deitando e pisando no que quero esquecer e esconder de mim e pelo visto na adiantou.

Cada dia da semana tem a minha cara e ele é como é só porque eu quis que fosse assim.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Passar, sacudir e usar: entre vestidos de cetim e sentimentos do coração.

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E hoje não há festa que me faça festejar. Apenas, pela casa vazia, a voz do Chico Buarque invade tudo ou qualquer vestígio de felicidade, me completando a tristeza me fazendo feliz. Pego me pensando que queria você aqui de volta como de clichê, enquanto passo um vestido recordo-me que quando namoramos pela primeira vez você me convidou para uma festa e eu inventei uma desculpa qualquer, na verdade não tinha roupa para comparecer aquele ambiente. Agora relembrando vejo que menti para você e um pouco de felicidade que a música esqueceu para trás, se mostra viva em meu coração, sim menti para você amor, menti, mas logo a felicidade passa em cima do vestido à quentura de um ferro que passa e a saudade que fica. E realmente meu anjo, não sei se seria certo ter você aqui mais uma vez, não sei teria forças para aguentar todos os ciúmes todas as noites sem sono pensando em você e todas as manhãs com seu perfume em mãos acabando de acordar de um sonho, o sonho era apenas o dia que se passou, eu nos seus braços e você nos meus, nos amando, beijo e outro beijo, um estralo e uma brincadeira que só nós entendemos. Não aguentaria viver aos prantos só de pensar que no fim de semana não irei te ver e não aguentaria a sua indiferença dia sim e dia não.

Me pego aos fios de lembranças e peço para que você mude, e em um ato de egoísmo não quero saber se é bom para mim, se é bom para você, rezo para que você mude que sinta amor por mim, que não ignore as minhas ligações, que me ligue que me chame que me ame. Na verdade eu acho isso quase tão impossível quanto eu deixar de te amar, afinal o tempo dessa vez andou tão de pressa que não deixa mais opções para que nossos caminhos se cruzem, se entrelaçam, fiquem unidos. Eu peço. Sendo eu egoísta te desejo profundamente só para mim.

Em outros casos já começo a pensar que é melhor eu amar outro alguém, encontrar outro amor, sendo este, que me queira bem, que nos braços dele descubra o que é amar de verdade. Mas não sei amor, não sei se quero deixar tudo o que não vivemos para trás a ilusão mata, nos da tristeza de várias angustias de vários tipos e sentimentos, mas não ligo não, gosto deitar e pensar do que se foi, e no que poderia ter sido. Então vejo que adoeci aos poucos fui vivendo uma vida que já não existe, uma vida da qual você colocou uma música feliz e disse adeus e ainda consigo escutar você dizendo que é o fim, mas eu perdi o fim em algum lugar no começo daquela semana quando você se virou deixando rastros de um bom homem que eu achava que era.

Eu não sei se quero você aqui pra te amar e eu, não você, mas eu me maltrataria a cada instante querendo saber de cada passo seu, querendo cada beijo e criando desculpas para cada ocasião importante, não tenho roupa amor, não tenho, e se hoje você estivesse aqui continuaria ser tê-la.

A música repete e repete, segue e segue algum outro coração triste também canta e como é feio quando você ama assim, como é doentio amar de mais, amar de menos e não saber amar. Mas eu sinto que a saudade é mais cruel, que o tempo passa mais rápido e que os vestidos de gala são muito caros. O lado bom de toda história de um apaixonado deixado, largada, nu, aos prantos, com saudade, se matando por dentro, trancando seu coração em um baú é que as palavras vem em mente e tudo pode ser descrito em uma folha de papel, em uma tela branca de word ou pode ser contata por um vestido de cetim que eu não tive e nunca terei. Por de trás de cada melancolia de textos bons estão lá os sentimentos, todos eles... Amassados e passados, por um ferro chamado tempo, mas ainda são os mesmos é só sacudir e usar.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

É bom né? Mas…

 

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-Como você sabe qual é o seu?- minha prima perguntou.

-Eu acho que o meu é o de azul- respondi- Mas de qualquer forma o meu vai senta do meu lado.

Eles chegaram e você não sentou do meu lado.

-Ei- eu chamei e ele olhou- Me da a sua mão- Peguei a mão dele e conferi se no fura bolo não tinha um pequeno machucado, confirmei e sorri- Ah seu besta!- você riu- Vem pra cá!- te puxei pela mão e você sentou do meu lado.

-Quero ver quando esse machucado sarar como você vai fazer para saber se sou eu  mesmo ou o meu irmão.

-O machucado é só um dos métodos que eu uso para saber quem é você- respondi e o beijei.

Eu estava muito feliz, quando ele segurava a minha mão quando ele me abraçada, tudo que ele fazia era bom de sentir logo pra mim que nunca tinha a capacidade de gostar de alguém, e todos meus relacionamentos não passavam de um mês, logo eu, forte e determinada, severa, queria só uma noite e nada mais fui cair nas garras dele assim, voltei a ser menina mulher, voltei a ver o mundo de outro jeito. O que o amor não era capaz de fazer? Não sei. Mas do que o amor é capaz...

…Abrir os olhos perdida naquele quarto. “Sonho, sonho e sonho”.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Versões sobre Violeta dizendo a verdade.

 

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Tenho curiosidade de saber quanto tempo tudo isso vai durar. A rotina, os beijos quentes pelas manhãs e as ligações durante a tarde. Quando que você vai me mandar para o inferno? E assim pela primeira vez saberei como é você nervoso, como é você de verdade, é quando estamos nervosos que a verdade sai, a mentira se esconde, fica com vergonha, a raiva destrói as mascaras que são feitas de mentiras. Quero te conhecer de verdade, mas sei que passarei anos dormindo do lado de um estranho, de um ser pensante que nunca saberei quando está tudo bem ou não, um sorriso ou um olhar quase nunca dizem quase nada sobre o estado real de alguém. Porque mentir é muito fácil e cômodo ou talvez você seja verdadeiro e eu esteja à procura de motivos insanos para te deixar, todos querem a perfeição, mas nunca pedimos para aceita-la e ama-la. Porque é muito fácil mentir. Dizer que a EX. dele é gorda ou antipática, que odeia esse papo de modelos magras, que não gosta da novela, mas assiste, BBB é uma porcaria, mas conhece os emparedados, que a culpa é do governo que não faz porra nenhuma e por isso aquelas pessoas estão perdendo as suas casas, mas não queremos saber se o lixo está sendo jogado no lixo, e nem sequer cogitamos a hipótese de que a natureza segue o seu curso natural e que nós é que estamos no caminho dela. Como eu estou no seu caminho, com uma arma dizendo “não me ame, por favor, eu sou uma masoquista sentimental e não consigo amar aqueles que me amam, sou mulher de malandro e gosto de apanhar”. Mas não consigo dizer, prefiro “não é você, sou eu”. “Preciso de um tempo para pensar”. “Você vai encontrar alguém que te mereça”, mas seria melhor dizer à verdade que “você é bonzinho de mais pra mim, que o teu sexo é fraco de mais e que você não sabe me pegar de jeito, me dar prazer; Que eu não quero teus presentes caros e nem suas flores, muito menos andar no seu conversível e nem na sua moto do ano; Nada de dinheiro meu bem. Quero o cotidiano de um trânsito, o suor daquele calor de quarenta graus, quero tomar uma gelada na esquina, quero chegar a casa tomar um banho e não me secar pra depois te ver na minha cama e cair em cima de você, te beijar, ter seu corpo tão grudado no meu que não saberemos se você sou eu ou se eu sou você, quero dormir no canto da cama, pois ela está encostada na parede, quero brincar com o teu cabelo e depois dormir sem ter hora pra acordar, quero ver você sorrindo, quero que você me agarre no meio dia em qualquer lugar e sussurre em meu ouvido “quero agora, aqui” e eu não vou te impedir, não vou dizer que alguém pode nos ver, porque eu não ligo amor, eu não me importo, se alguém ver vai me chamar se indecente e te chamar de maníaco, mas na verdade só estamos apaixonados. É a paixão a flor da pele, no toque do prazer. Eu quero isso meu bem, e depois quero que você vá embora, que me deixe com saudade, que não me ligue no outro dia, e que depois apareça que nem espere eu abrir a porta que me agarre e me leve para de baixo do chuveiro de roupa e tudo, porque depois você vai me despir, e eu vou querer te ver como você veio ao mundo, lindo, nu, perfeito”.

O que é mais fácil amor... É mentir. Logo eu amor que não quero ser mais uma que fingiu amar outro homem e ter que se contentar com o que a vida deu. Não amor eu não quero. Quero desfrutar da minha campainha enquanto o verdadeiro homem se é bom ou ruim não sei, mas que vai ser o certo, não achega. Enquanto isso, desejo estar só, me fazer sorrir e me agradar, quero fazer tudo enquanto ele não vem, porque eu sei amor, ele vai chegar. Não importa se vai demorar, se os desejos da carne, do corpo e do sexo chegarem não tem problema eu me alimento às vezes, entrego-me em minhas mãos.

Mas prefiro está com os livros, com a voz da Etta James inundando a casa do que viver dias com você, dias que não me satisfazem, porque meu bem não quero continuar a fingir te amar, não quero o som do Eros na minha casa e nem os seus livros sobre como Carl pensava ou agia.

Quero apenas a companhia de estar só. Enquanto ele não chegar.

Quero te desejar boa sorte, mas quero que você quebre a cara nas pernas de uma mulher que te ama de mais e que você se sinta sufocado de tanto amor. É assim querido precisamos de um amor ruim na nossa vida para podermos aprender como é bom amar quem a gente não gosta, e que é melhor ainda amar quando a pessoa nos ama.

E apenas isso querido. Beijos, abraços de uma amiga que sempre foi amiga, jamais tua mulher, e que será sempre o motivo de sua saudade, de suas mãos procurem as suas calças, o zíper e teu sexo.

Violeta Abstinência

segunda-feira, janeiro 17, 2011

E das loucas: os monólogos

 

 

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Quero meu quarto bagunçado, a casa o cabelo.

Quero os remédios, as doses, erradas, um? Não, dois, quem sabe três? Passa mais rápido.

Tiro a roupa, desligo a luz, calcinha e sutiã. A luz da rua, iluminando o quarto.

Alguma balada, mais um cara que canta e diz que é mais um cara correndo na direção contraria.

A dor na cabeça, o calor no corpo.

Vou te ligar dizer que quero dormir com você. Não quero transar com você. Quero deitar ao seu lado, sentir teu corpo gelado no meu quente, quero suas mãos nas minhas costas, quero você acordado vinte e quatro horas. Olha-me enquanto durmo. Conte minhas pintas, minhas manchas, minhas dores e magoas- seria preciso mais do que vinte e quatro horas.

Está vendo? Está vendo o que eu poderia ser? Poderia ser uma vadia com apenas uma ligação, estou sempre a um passo de tudo, até mesmo de ser uma vadia. Poderia te seduzir, ter deixar roxo, dolorido e ir embora, dizer adeus ou até mais.

Mas também as coisas poderiam mudar, olho para cima, minha cama pequena diz que preciso de companhia, meu quarto arrumado diz que eu preciso de bagunça e meu coração vazio diz que eu preciso de amor.

Fecho os olhos. Dor. Dor. Dor. Sabia que poderia ter aumentado à dose do remédio, por que não aumentei?

A campainha soa me visto cadê a blusa? Coloco.

Escuto errado. Era do vizinho. Jogo-me na cama.

O cobertor parece mais macio sobre a pele nua. A dor continua, os olhos latejam, o calor aumenta.

A mesa cheia de livros, os óculos jogados sobre os livros, celular, caneta, caderno, CPF.

O guarda roupa que por fora parece lindo por dentro é desorganizado.

Sou eu. Sou eu. Um guarda roupa desarrumado.

Na gaveta da saudade várias lembranças de coisas que só importaram para mim. Na gaveta do amor a indiferença. E na gaveta das mentiras, todas as verdades.

Eu disse. Eu disse. O guarda roupa está desorganizado. Por fora parece bonito. É bonito. É bonita! E é bonita!

Eu sei. Perdi sete quilos. Não. Não. Não foram em duas semanas, é mentira das revistas aquilo não existe. Perde sete e na outra semana ganha catorze.

As fotos na caixa. Mas deveriam está no mural. Sim eu sei. Então por quê? Porque eu não gosto dos olhos que me enxergam. O que? Eles ficam me olhando quem me garante. Garante-te o que? Que estão felizes por me ver. Quem? As fotos. As fotos. Rimos. Rimos? Eu e quem? Eu e o silêncio do quarto, eu o silêncio dos bichos, da cidade, da noite, dos amentes fazendo sexo, dos casados cansados, dos namorados fogosos, das encalhadas choronas, e das loucas os monólogos. Na cama vazia o sonho que se confunde com pensamentos que toma vida, que não respeitão a nossa imaginação. Já aconteceu com você? O que? Quando você imagina algo e no pensamento, quando você constrói do jeito que você queria, fica maior do que você planejou, parece que tem vida própria. Entendeu? Sim. Outro dia pensei em como queria minha casa e no meu pensamento as paredes nunca ficavam brancas. Que coisa. Sim. E ficavam de que cor? Verde. Verde? Sim. Gosto de verde. Eu também. Então as deixe verde. Sim, não tem outro jeito.

Sono vem ou já veio e eu já vou. Não sei parece que falo com alguém. Alguém que não conheço e essa é a hora que não sei se é verdade ou se é mentira. Tento pegar o celular, mas não alcanço. Amanhã as horas irão se esconder. Mas estarei bem à dor terá ido embora. Meu coração vai ficar acelerando o dia inteiro, foram os remédios. Não podia ter aumentado à dose. Sim devia. Não.

Calor. Algo sobre as gavetas e uma ligação faz parte do meu último pensamento.

Sim, telefone dentro da gaveta.

O que? Não sei. Não sei.

domingo, janeiro 16, 2011

Sem fins lucrativos

Pergunto-me todos os dias se você sabe que eu existo, se assistiu aquele filme que passou na sessão da tarde eu acho que você iria gostar daquele filme, e do cara que usava um terno roxo. Será que você vai lembrar que prometemos assistir este filme no cinema? Não. Eu acho que você deve ter esquecido, não só do filme e dos planos, como também das vezes em que disse me amar e de outras em que me disse “você é a minha alma gêmea”. Outro dia me disseram que esse papo de alma gêmea não existe então eu concordei, se existisse mesmo você estaria aqui e teria a bondade de me amar. Porque o final feliz não é o fim, é apenas o estado de felicidade, o fim não é o fim e sim o começo de um recomeço de aprendizados sobre: como sobreviver sem aquela pessoa que amamos. Então como diria os drogados “só por hoje” não quero precisar lembra-se de você, só por hoje quero ser um estado independente de fins financiados por você, quero ser livre do fim ao recomeço.

sábado, janeiro 15, 2011

A distância.

Hoje quando você acordar vai ser um lindo dia. Por que eu pedi pra Deus. Cada dia antes de dormir eu agradeço por você respirar e depois como quem não quer nada desejo que sua roupa no varal não molhe que o trânsito não te prenda que você não se esqueça de tomar as suas vitaminas. Às vezes também peço para que seus medos não te empeçam de voar em direção aos seus objetivos. Espero que você esteja bem. Porque eu também peço isso pra Deus e mesmo antes de pedir eu já agradeço, pois sei que ele me escuta, sempre. Sei que não deveria olhar as tuas fotos, ver como está o seu cabelo e ver como ganha rugas, como está amadurecendo, as espinhas sumindo e o cabelo perdendo a cor. Reparei que está perdendo peso, que está mais alvo, mais forte, mais jovem. Parece que você anda contra o tempo. Parece um vinho bom, é um vinho bom. Mais velho melhor. E com o passar dos dias te admiro por amar, por continuar amando e por ser só dela. Daquela mulher que sempre vejo sorrindo ao seu lado nas fotos. Sei que o casamento está marcado, até que em fim irá casar, estava na hora. Agora você vai comprar as alianças e depois vai lá fazer o pedido, vocês vão ficar meses planejando o casamento, a festa, o vestido, as madrinhas. Depois irão ver a casa, ficar horas escolhendo as cores e pisos para a casa e ela vai dizer que piso preto na cozinha é melhor, mais bonito e suja mesmo. Você vai ri e dizer que ela não vai precisar limpar o chão que vai contratar uma empregada e ela diz que só vai aceitar isso se for uma empregada bem velha, mas você retruca dizendo que se for velha não vai conseguir fazer quase nada, então ela diz “nós vamos cuidar da casa vamos dividir as tarefas” você faz cara feia, ela sorri e você aceita, como recusar depois daquele sorriso? E no dia do casamento você vai chorar antes de entrar na igreja, está feliz, radiante e não vê a hora de a sua mulher futura esposa entrar de branco, linda, mais linda do que o costume. Pensa que é até de mais para o seu caminhão casar com uma mulher tão maravilhosa como aquela, mas depois sabe que Deus é bom por que além de ela ser maravilhosa ela te ama e você a ama também. Na hora do aceito você grita o “sim”, todos na igreja riem menos o padre, pois ele toma um susto. Na saída, seu cabelo fica cheio de arroz são tantos os grãos que até mesmo depois da festa quando estão no quarto de algum hotel bem caro em algum lugar que você nem faz questão de lembrar o nome, ela ainda acha grãos de arroz no seu cabelo. Você ri e ela sorri. No outro dia você a apresenta para a família “Oi família essa é a minha esposa” todos riem da sua cara de bobo, todos já sabe disso, sabem que você está feliz. Que ela está feliz. Que vocês são felizes.

Depois de sete anos de casados, você vai chegar à cozinha e dizer olá família, naquela mesma cozinha que tem o piso preto e que sua esposa limpa todos os dias, ela complexada, ama limpeza e ela mesmo que limpa, você quase nunca está em casa e quando está ela prefere que fique descaçando com ela e com os seus filhos, são três, um menino e duas meninas, gemias.

As duas têm seus olhos, castanhos escuros e no sol os olhos delas ficam claros, às vezes parecem o próprio sol. O menino puxou a mãe é moreno e tem o cabelo enrolado, mas isso puxou dos dois, pois você tem o cabelo enrolado e a sua esposa também, mas o menino tem o jeito alegre, sempre sorrindo, sem manha, e não sai de perto das irmãs. Esse vai ser um irmão coruja. Igual à mãe que é muito coruja.

Então um dia você vai até a casa dos seus pais para o almoço de domingo e tem vontade de entrar no seu antigo quarto, um quarto que se falasse, nossa! Iria contar tantas coisas, como daquela fez em que você trouxe uma garota e vocês ficaram ali juntos, pela primeira vez, o amor. E depois de dez anos ainda está com aquela garota, agora mulher, hoje sua esposa e mãe de seus filhos. Senta-se na cama e passando os olhos pelo antigo quarto percebe que tem algo de baixo da mesa, algo repleto de poeira. Vai até lá e pega. Puxa e é uma gargantilha com um pingente: um coração azul. Você então vai se lembra vagamente de uma música “ E nosso amor é azul como mar, azul.” Pensa naquela dupla que cantava essa música, pena que acabou, gostava deles. Vai se lembrar de quem lhe deu, do rosto, da história ou pelo menos de alguma parte dela. Tenta lembrar o nome de quem lhe deu aquilo que usou apenas um mês, mas não consegue. Desiste. Então deixa gargantinha lá em cima da mesa empoeirada. E lá o coração azul fica, desbotado, mas azul. Um azul que nem a poeira do tempo conseguiu encobrir e nem desbotar muito menos enfraquecer, o mar ficou sujo e poluído, e o amor não é mais azul como mar. É apenas azul. Não sabe nem se o amor é azul e muito por que continuaria a ser azul, já que nem amor existe. Sai do quarto e volta pra sua vida.

Eu vou colocar a mão no meu coração e meus dedos tocaram o azul. O meu coração azul com a sua letra gravada nele. Pena que não tivemos tempo de gravar a minha letra no seu coração, porque naquele dia teu celular tocou e tivemos que ir embora as presas e você me prometeu “depois voltamos aqui para gravar a sua letra no meu”. Não voltamos. Minha letra não ficou no seu coração azul muito menos no vermelho do lado esquerdo.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Não seja prolixo- Fim.

 

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-Eu estava com ele todo esse tempo.

-Cretina!

-Tentei terminar tudo, mas não consegui.

- “Prazer sou o Fernando noivo da Miúda!”- Lucia tenta imitar uma voz masculina- Noivos! E você me diz que tentou terminar?!

-Lu...

-Não me chama de Lu Miranda, que porra!-Lucia passa mão pelos cabelos- O que você acha... Quem você que é? Em?

-Eu amo o Fernando Lu... Lucia. Até te conhecer eu tinha certeza que ele era o único homem da minha vida, e é. Mas... Eu não sabia que gostava de mulher, eu não gosto de mulher! Você foi à primeira, e única. Eu te amo. É verdade. Mas isso tudo é diferente pra mim, como posso terminar com o homem que eu amo? Eu tentei juro que tentei. O Fernando sabe que eu o amo, apensar de ter dito tudo o que eu disse, eu tentei. Eu ia terminar com ele...

-Por quê?... Isso não é justo!

- Eu não ia ficar com você também Lu... Lucia! Que merda! Eu vou te chamar de Lu como sempre chamei. Eu não ia ficar com você Lucia! Queria acabar com tudo, ir embora! Parar com isso, isso não é certo. Ele me ama. E você também me ama! E eu amo os dois porra!

-Mas resolveu se casar com ele.

-Eu sei.

-E eu Mi?

-Eu vou me casar. Não posso viver sem ele....

-Quanto a nós!

-Eu te amo... Mas eu vou me casar. Eu não tenho estômago para assumir nada disso, nós... Eu e você. Eu disse, é só você... Eu nunca.

-Entendi!

Miúda abaixa a cabeça, sente um peso de em seus ombros, hoje foi um dia bem puxado.

Lucia deixa o elevador subir.

Quando elas saem. Lucia entra pela porta da saída de emergência. Miúda vai atrás dela e senta no primeiro degrau.

-Me perdoa?

Lucia para. Vira-se – Eu te amo Mi. Eu já fiquei com muitas mulheres, você sabe disso. Mas quando te conheci foi mágico, eu descobri o que era amor, com você.

Miúda abaixa a cabeça, não sabe o que dizer. Então sente as mãos de Lucia no seu rosto. Lucia senta no seu colo, de frente para ela, coloca as mão em seus cabelos.

-Eu te amo Mi- sussurra em seu ouvido.

-Para com isso, se alguém entra aqui...

-Ninguém vai entrar. - Lucia passa os dedos nos lábios de Miúda- Eu quero você, pra sempre.

-Lu, não complique as coisas.

-Eu aceito, assim... Mesmo você se casando, ninguém nunca vai saber você pode até me convidar para ser madrinha. - Lucia sorria.

-Você é louca!

-Completamente.

-Fiz tudo isso...

-pra acabar no começo, para terminar como começou...

- Por que tudo tem que ser tão complicado Lu?

-Porque você é complicada Mi...

-Eu sou prolixa.

Então ficamos assim, entre o certo e o errado. Entre amar e ser só, viver só, ser quase nada em um mundo onde o coração sempre manda. Sempre.

Lucia, só tinha olhos, boca e corpo para Miúda, sabia que se não tivesse mais aquela mulher não queria e não conseguiria amar mais nenhuma. Não era fácil ser a outra. Queria mais do que só algumas noites ou alguns momentos. Mas era a única saída que encontrava para ficar com Miúda.

Fernando, só tinha olhos para aquela mulher, aquela. Sabe? Miúda. Assim que saiu do serviço dela foi logo comprar duas alianças, lindas, grande, e caras para o casamento. Ele a amava. Destino e acaso. Iriam se casar.

Miúda. Bem... Miúda é uma mulher como qualquer outra, quem nunca ficou entre dois amores? Mesmo que a outra seja uma mulher, não tem problema, é amor. Amor não tem cor, sexo, raça. Amor é amor. É algo maior do que nós, que nos domina, que nos move.

 

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E Do narrador.

não vai adiantar nada uma vida repleta de definições de certo e errado um dia alguém vai chegar e acabar com os seus conceitos, suas certezas, abrir todas as fechaduras do seu coração e sumir com a chave. Essa pessoa vai te beijar loucamente, intensamente, apaixonadamente. E dizer “eu te amo”, constantemente. Você vai mudar vai deixar os amigos, família e vai respirar e comer essa paixão vai lutar chorar, gritar, por ele, por ela. Por vocês. Você vai criar manias, rotinas, rituais, sábado a noite sua casa domingo a casa dele, e todos os meses será um a mais juntos, os filmes as músicas, tudo vai ter a cara de vocês. Nosso.

Um dia ele vai embora ou ela vai dizer adeus, sabe? Aquele acordo “eu entro com abunda e você com o pé”. E quando ele se for você vai continuar aprendendo com ele, por que ele deixou saudade e ela deixou o perfume na sua cama e ai você vai aprender a não matar a saudade e se acostumar com um travesseiro cheiroso de lembranças aromáticas.

E depois de um tempo seus amigos vão te dizer que você precisa de outra, de outro. Outros. E você vai tentar, vai dizer que não gosta daquela música ou daquele filme, por que são horríveis mesmo, mas a verdade é que você lembra-se do seu ex amor, que na verdade nem é EX. e sim o “pra sempre”. Você vai mentir pra si mesmo, vai dizer que passou e que agora tem um “coração de pedra”. Que prefere ter um caso ali e outro aqui, mas na verdade só quer um corpo e um coração. Você será prolixo. Por que toda noite quando deitar é dele que você irá lembrar. Mesmo que do outro lado da cama esteja ocupado por outra. Por outro.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Não seja prolixo- penúltima parte.

 

Tem hora que não da adiar nem mentir. Porque a até mentira nos cansa.

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-Oi Mi!

-Oi- Miúda mal consegue respirar, Lucia aqui! “Eu havia combinado de passar lá mais tarde, o que ela faz aqui?”

-Como vai?-Fernando estende a mão- Sou o Fernando, noivo da Miúda.

-Noivo?- Lucia ri- Prazer- estende a mão- Me chamo Lucia- ela ri outra vez, mas acho que isso, você já sabe.

-Vocês trabalham juntas?- Fernando pergunta.

Lucia encara Miúda, nenhuma das duas sabe o que responder, as palavras faltam, mas Fernando não percebe nada, está nas nuvens então Lucia, mais uma vez, decide quebrar o silêncio.

-Não, não trabalhamos juntas...

-Nós estudamos juntas- Miúda confessa.

-Ah sim. - Fernando abraça Miúda- Lucia, você poderia nos dar alguns minutinhos? Eu já estou de saída.

-Claro Fe. - Lucia sai Fernando não percebe, mas ela estava quase chorando, Miúda também percebe o estrago que fez a palhaçada que continua fazendo.

-Tudo bem em dizer que sou seu noivo?

Miúda não responde, ainda está com os pensamentos na “palhaçada”.

-Eu sei que você não me respondeu quando te fiz o pedido na última noite em que passamos juntos...

-Claro... Quer dizer, sim.

Fernando sorri.

Miúda sorri esta realmente feliz. Mas por dentro algo lhe corrói. Ama Fernando isso é fato, mas ama Lucia também, tentou de todas as maneiras para com isso, ser de duas pessoas, mentir para Fernando e também para Lucia, isso não era certo. Mas ficar triste, só e não satisfazer as próprias vontades, isso era certo também?

Ela sabia trair, mentir, isso não é certo. Sabia o que não era certo. Mas nem sempre gostamos do certo, ou seguimos pelo caminho da certeza.

Abraçou Fernando e sussurrou em seu ouvido- Meu amor me desculpe.

Miúda toma uma decisão ali, sabia que agora Lucia já era. Que Fernando já havia se esquecido de tudo, e como era tão apaixonado por ela não iria nem querer saber por que ela tinha feito aquilo, ele com certeza pensa que Miúda é uma mulher muito complicada, que deve ter ficado com medo, aliás, ele a pediu em casamento! Não é mais tão comum hoje em dia.

-Claro meu amor, aliás, isso tudo já é passado, eu sei que você deve ter ficado assustada... - Fernando a beija.

“Assustada? Eu estava apenas tentando acabar com tudo, rodei, rodei para fugir de você, de Lucia, mas não consegui, o mundo tem provas que tentei ser correta, mas e meu coração? Meu coração não escolhe quem é correto ou não.”- apenas pensa.

-Vamos nos casar!- Miúda grita.

-Sim!

As pessoas da mesa ao lado, nada entendem, apenas descobrem que o casal ao lado, como qualquer outro decide se casar.

Eles se abraçam novamente. Fernando diz que precisa ir trabalhar e Miúda concorda, diz que no fim de semana vão comemorar. Ele aceita. E vai embora.

Miúda vai para sua sala, com metade do seu corpo mais leve, com o coração ou pelo menos parte dele, mais calmo, é o amor. Ama Fernando. Ama o acaso.

Mas quando chega ao elevador, tem mais uma surpresa, lá está Lucia parada bem frente ao elevador. Miúda sente a outra parte do seu corpo pesar. A parte de seu corpo que ama Lucia, aquela menina-mulher, que conheceu sem querer e que descobriu sem querer que o carinho que tinha por ela, era mais que carinho de amiga, era mais que abraços ingênuos. Era amor, quando sentiu o toque de Lucia em seu corpo pela primeira sabia que aquilo não era normal, no começo não aceitou, disse que não gostava daquilo, mas no final se perdeu naquela cama, naqueles beijos, naquelas caricias. (Mas isso fica para outro conto)

-OI Mi.- Lucia parecia ter chorado muito.

-Oi Lu...

-Vai subir?

-Sim.

As duas entram no elevador. Miúda acha estranho “por que ela vai subir também?” Mas logo tem a resposta.

Lucia para o elevador.

-O que você está fazendo?!- Miúda pergunta.

-Vamos conversar!

-Aqui?

-Claro!

-Aqui não, você está louca, faz esse elevador andar!

-Não, temos que conversar!

-Lucia! Estou no meu local de trabalho.

-Não me interessa, eu vim te fazer uma surpresa e quando chego aqui você está com aquele babaca, o que era aquilo em Miranda?!

- O que era aquilo? Bem... É aquilo que você viu. - Miúda tem se explicar.

-“ Te vejo mais tarde” foi isso que você me disse!

-E eu ia!

-Mas estava aqui com ele! Quem me garante que você tinha mesmo terminado com ele em? Quem me garante que nesses últimos três meses você não estava lá dando pra ele!

Lucia está gritando, chorando, e na frente dos botões do elevador, Miúda nem pensa em tentar chegar até eles. Sabe que vai ter que dizer a verdade a Lucia.

Continua…

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Não seja prolixo- Parte cinco

 

 

As vezes tentamos sair do caminho errado. Mas quando o caminho errado é amar. Tudo fica diferente.

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Miúda está sentada do outro lado da mesa. Fernando a encara sente vontade de beija-la de tirar a sua roupa, ali mesmo, de ter o corpo dela, aquele corpo que sempre desejou, amou e cuidou.

-Então... - Fernando começa- Não me enrole com esse café você sabe muito bem que não vim aqui para isso.

-Eu sei.

-Sabe.

-É o fim.

-Miranda, olha pra mim!

-Estou olhando.

-Não está!- as pessoas da mesa ao lado olham assustadas- Desculpa. Miranda- Fernando respira fundo- Olha pra mim.

Miúda o encara.

- Agora me fala o que significa toda essa palhaçada.

-Eu não e amo

-O que?

-Eu não te amo.

Fernando a encara. “Não quer acreditar, seria melhor se estivesse doente”.

-Porque Miúda? Como, depois de todos esses anos...

Miúda não responde.

-Olha pra mim porra!

Miúda olha, seus olhos estão marejados, nem ela sabe o que está dizendo.

As pessoas da mesa ao lado começam a comentar. Desta fez Fernando não se desculpa muito pelo contrário, vai até Miúda e a Beija.

Miúda não se meche, deixa ser beijada, gosta, o abraça forte, ah aquele cheiro.

Fernando a aperta em seus braços fica feliz por ela não desistir, e sente fé novamente, fé que eles podem voltar e tudo da certo.

Miúda o encara. Fernando, sempre assim esperançoso, nunca desiste, sempre com fé, sempre com coragem, sempre. Ela estende o braço, passa mão em seu rosto, ele não recua, deixa ser acariciado, estava com saudade. Ela também.

-Miúda- O coração dela dispara finalmente ele resolve chama-la pelo apelido- Depois disso, como explica o que acabou de me dizer?- Fernando não a deixa responder sabe que a mulher que ama tem seus dias, mas além de ter aqueles dias, é muito complicada e teimosa. - Está sentindo isso?- Ele aperta em seus braços.

-Sim- ela diz em um sussurro.

-Nos amamos Miúda. Eu amo você e você me ama...

-Que lindos!- Miúda em susto sai dos braços de Fernando e olha para trás de si e lá está ela, linda, alta e loira.

Em um sussurro Miúda diz: Lucia?!

Continua…

terça-feira, janeiro 11, 2011

Não seja prolixo- parte quatro.

 

 

“Às vezes a esperança é boa ou sempre né? E quando ela está sendo segurada pela mentira? E quando ela agrada. E se não for mentira? Nunca se sabe. Temos que nos agarrar a ela. E ir...”

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-Oi Marcos, você me assustou.

-Desculpa! Mi está tudo bem?- Marcos pega uma cadeira da mesa ao lado e senta-se- O Fernando me ligou, disse umas coisas meio sem noção sobre e-mail e fim. O que tá acontecendo?

Miúda engole em seco, seus pensamentos estão confusos, uma dança? Destino? Acaso? “Não tem mais nada para buscar lá... Lá aonde?”

-Maninha?

-Oi... – Miúda respira “preciso organizar meus pensamentos”- Estamos nos separando.

-Vocês estão se separando ou ‘você’ está se separando dele?- Marcos a encara.

Miúda não aguenta e chora. Chora como criança, e como um pai que vê a filha em desespero, Marcos a segura em seus braços.

-Calma maninha- sua voz está rouca, Marcos está tão chocado quanto ela- Não era para você reagir desse jeito, só vim conversar sei lá...

-Eu sou um monstro!- Miúda confessa.

-Não!

-Sim!

-Claro que não, você tem seus defeitos como qualquer mulher, vocês são muito complicadas!

Miúda chora mais.

-Cara! Eu não sei como te acalmar!- Marcos confessa e a abraça mais forte.

-Não é culpa sua, eu também... - Miúda se afasta, passa a mão nos cabelos- É tudo culpa minha.

-Vocês vão mesmo se separar?

-Eu acabei com tudo, eu sou um monstro!

-Já disse que não.

-Eu estou confusa, Marcos, sabe?...- Miúda o encara, Marcos parece confuso.

-Não, não sei. Mas eu acho que você deveria dar um tempo pra si e sabe depois tentar resolver as coisas, aos poucos com calma.

O Celular de Miúda toca.

-Alô... Oi!- Miúda parece sem graça, seu rosto fica vermelho. - Claro que vou, depois do serviço já disse... Sim, beijos, eu também.

-Então- Marcos parece animado- Era o Fernando?

-Não.

-Não?!

-Não.

Os dois ficam um tempo em silêncio.

-Era a Lucia.

-Lucia?

-Lucia Marcos!... A Lucinha!

-Puta merda!- Marcos começa a sussurrar- Maninha você voltou a ficar com aquela mulher? Você está completamente louca.

Miúda não consegue responder, não acha palavras, deve ser porque pela primeira vez em semanas, esta dizendo a verdade.

-Apesar de eu adorar ver mulher com mulher- Marcos ri- Desculpa. Maninha, você tem que dar um jeito nisso.

-Eu sei droga!

-Da um jeito em que?

Miúda encara Marcos “ué”, não entendeu porque ele disse aquilo, mas logo depois, entendeu perfeitamente.

-Fernando- Marcos levanta- E ai cara como vai?

-Bem- Fernando responde, cumprimenta Marcos, mas não tira os olhos de Miúda ela parece pálida, sem ar, quase sem vida. Está mais magra, seus cabelos não estão mais com aquele brilho. Teme que ela esteja doente, quem sabe seja isso? Uma doença! Por isso aquela loucura de terminar, e Fernando pega-se a isso a esse fio de esperança- E você Marcos, como vai?

- Tudo certo- Marcos sente o clima pesado e tenta salvar a situação- Fernando, a Miúda estava indo tomar um café, que tal vocês irem juntos?

-Tudo bem- Fernando e Miúda responderam juntos.

Continua…

(Estou enchendo o saco já com o conto? Calma, tá acabando!).

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Não seja prolixo-parte três

Só quando você tem amor no coração que consegue entender o que os olhos significam. São eles, as janelas da verdade.

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Dezenove de abril de 2007 13h58min

Você apenas parece que, gosta de fingir e, aliás, parabéns para você, como fui ingênuo. Suas palavras secas, frias, sórdidas ainda estão rodando e penetrando na minha cabeça minuto após minuto. E como você está agora? Mais leve? Deve estar. Pois mentir, FINGIR, durante três anos, duas semanas e dois dias, deve ser realmente cansativo.

Não precisa mandar o seu irmão vim aqui. Não tem mais nada para ele buscar.

Fernando.

Miúda sente a sua face quente, vermelha... “parabéns?” sente uma tontura, não sente mais os pés, nem as mãos. “Não preciso mais buscar as minhas coisas? Como assim?!”

Miúda se afunda na cadeira, sente que o mundo está pequeno, algo nasce em seu coração, não sabe o que é, mas está incomodando. Fecha os olhos, e como se um filme iniciasse tem uma lembrança...

“Três anos atrás...”.

- Acho que não é apropriado você ficar ai sentada.

Ela sorri- Bem também não acho nada apropriado ninguém me chamar para dançar, mas tudo bem.

O rapaz de cabelos bagunçados resolve sentar-se.

- Se por acaso um rapaz te convidar... Por acaso você dançaria?- ele a encara, os olhos dela são castanhos escuros, como os dele. Os cabelos dela estão soltos, lisos, negros como a noite. Seu vestido é vermelho frente única, ela é linda.

-Bem... Depende do acaso- ela responde, o encara e depois ri consigo daquela conversa.

-Do acaso?- ele não entende.

- Se o acaso for você!- Ela fica vermelha, mas não suficiente para evitar os olhos dele que são castanhos escuros, como os dela. Ele está de camisa azul turquesa que combina com a sua pele clara e com seus cabelos bagunçados.

- Então prazer- ele estende a mão- Eu sou o acaso!

Ele ri. Ela sorri e estende a mão- Eu sou o destino!

Ela ri. Ele sorri e estende a mão- Então... - ele sorri outra vez. Cumprimentam-se- Destino! Você quer dançar comigo?

Ela faz que sim com a cabeça. Ele levanta e pega a mão morena dela. E o dois vão para o meio do salão.

No palco uma banda e uma cantora envolvem os dançarinos com uma música romântica, triste, daquela que nos faz lembrar o amor, que nos faz sentir saudade de alguém especial.

Eles não sabiam, mas naquela festa de fim de ano da empresa: ela foi por que não tinha para onde ir e ele foi, pois era amigo de um rapaz que trabalhava ali- Marcos... Ah Marcos “o cupido”. Mas terá sido mesmo o cupido, a sorte, o acaso ou destino?

...Ou talvez fosse mesmo para ser.

Miúda abre os olhos... Canta, mentalmente, a música que um dia fez o Acaso e o Destino dançarem– “Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo... Que eu existo♪”.

-Você está bem?

Miúda toma um susto vira-se... E o encara.

Continua…

sábado, janeiro 08, 2011

Não seja prolixo- Segunda parte

“Quantas coisas sobre o amor não podemos explicar? Quantas centenas de coisas não podemos explicar sobre nós? Não da pra somar o quanto de escuridão temos ou quanto de amor podemos dar, muito menos quanto medo produzimos ao longo dos dias, dos anos... Da vida.”

 

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Dezenove de Abril de 2007- 00h10min

Tu vens me dizer que não sabe amar, três anos não sabendo amar? Três anos! Como pode fazer isso comigo? E nossos sonhos, planos... Nosso amor? Será que todo esse ‘nosso’ no fim era apenas ‘o meu’? E as nossas noites? Nossas transas, seu corpo no meu, as tuas declarações de amor, seus dizeres de saudade, suas ligações no meio da noite, sua mão batendo na minha porta as cinco da manhã e você me dizendo que a saudade foi mais forte e que o fim de semana estava longe de mais e eu tentava te acalmar dizendo “amor hoje é quinta!”... E você me abraçava dizendo “Pra mim faz tempo que não te vejo todos os dias e todos os dias estão distantes do fim de semana” depois você me beijava tirava a roupa e eu te amava.

E agora você diz... Que eu não sou o certo... Como assim? Que quer correr, fugir?

Eu te amo, ainda... Hoje e sempre. E não sei entender nada do que você diz por tudo o que você diz não condiz com que temos e sentimos.

Fernando.

Dezenove de Abril de 2007- 13h40min

Resposta.

“Eu às vezes tento amar, mas algo afasta o gostar de mim, nem suas mãos no meu corpo me exicitão eu calculo cada gemido, cada beijo mais quente, sei do que gosta, do que quer, aonde quer em que frequencia... E já que você se sente bem. Tudo bem. Às vezes me pergunto se estou acabando com você já que minto contruindo um relacionamento de mentiras um dia atras do outro, às vezes me infeso e decido que vou acabar tudo que vou dizer a verdade “eu não te amo, não gosto de você”, mas vejo você, sinto o quanto você me quer e lembro que quando pedi a Deus pedi uma pessoa igual a você “Deus coloque alguém em minha vida que me ame”, e em nenhum momento sugeri para Deus que colocasse amor em meu coração. Seria pedir muito? Às vezes acho que amar e ser amado são coisas distintas e impossíveis e é também pedir de mais, é querer ser feliz de mais, e não pode, é proibido. Fernando, eu sou um monstro. Não sei se pedir desculpas resolve. ...Eu tenho vergonha de te encarar, então vou pedir para meu irmão ir buscar as minhas coisas ai.”

Miúda.

Miúda envia a resposta. E senti o celular no bolço vibrar. Pega o celular, abre e lê que tem uma nova mensagem da Lucia:

Oi meu amor, amei a noite de ontem, estava morrendo de saudade de você.”

Eu também amei tudo meu amor” - responde.

Lucia manda outra- “Hoje à noite meu apartamento está livre, que tal?”.

Sim, passo lá depois do serviço.”

Maravilha, eu vou cozinhar para você. Amo-te”.

Miúda fecha o celular e o joga em cima da mesa, esconde o rosto nas mãos “que inferno de vida”. Levanta o rosto e atualiza a página de e-mail. Nada. Alguém passa em sua mesa e deixa alguns papéis. “Tenho que trabalhar”, antes de fechar a janela atualiza mais uma vez. Uma nova mensagem de Fernando Casanova. Seu coração dispara. “Como pode um coração acelerar pelo fim, afinal isso é o fim.” Miúda sente uma perto no peito “Estou com medo?... Tenho medo! Porque estou fazendo isso com ele? Por que estou fazendo isso com Lucia? E melhor por que estou fazendo isso comigo?”.

Então, depois de tantos questionamentos resolve abrir o e-mail.

 

Continua…

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Não seja prolixo- Primeira parte.

 

“Quem revelará o mistério que tenha fé
e quantos segredos traz o coração de uma mulher-Sinônimos”
(Zé ramalho)

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Dezoito de abril de 2007- 18h35min

Porque você não pode ser o certo, porque tem sempre que me amar tem que cuidar de mim, me abraçar quando não quero e quando quero. Mas isso você não sabe. Não sabe que eu não te desejo e que não faço planos para nós dois, que sinto a tua falta só quando faz muito tempo que não beijo ninguém. Que na minha mente você é só mais um, um cara com quem eu saio, uma pessoa que eu calculo cada passo planejo dizer saudade, manipulo cada conversa e falo verdades no meio de cada brincadeira. Mas você não vê, nem sente e o que sente, acha que é para nós dois e isso basta, acha que seu amor me alimenta e me contagia, mas na verdade me repeli e me faz questionar, porque você não pode ser o certo? Porque não consigo te amar? E por que cada vez que fico mais perto de você é de outro que sinto falta, é de outro que quero sentir o cheiro, que quero um beijo que quero um abraço apertado “... Abraço apertado suspiro dobrado de amor sem fim. .”.

Você não cre que eu não te amo, e nem percebe nem de longe que eu sofro ao te encarcar e que quando você fica perto demais tenho vontade de correr, de sumir...

Desculpa... Mas é o fim.

Abraços. Miranda, ou melhor... Miúda.

-Miúda?

- Oi amor...

- O que está fazendo ai? Poxa faz mó tempo que não ficamos juntas e quando temos tempo você não sai desse computador.

-Desculpa- Miúda clica no ‘enviar’ da página e depois confirma se foi mesmo enviado. Sai da cadeira e caminha em direção à cama. Antes aumenta o rádio que está em uma estação que Lucia gosta muito... “Que beijinho doce♪” Miúda sorri para si e pensa-“ que conhecidencia

- Isso deita aqui- Lucia abra um sorriso como se tivesse conseguido ganhar o mundo. - O que estava fazendo lá?

-Ah- Miúda se acomoda na cama, fica bem próxima de Lucia e começa a mecher em seus cabelos loiros- Estava vendo se as notas finas já sairam.

- E saiu?

- O que?

Lucia ri Miúda sempre distante- Aa notas Miúda, não era isso que você estava vendo?

- Ah sim- Miúda sorri- Não sairam.

Lucia se aconchegou de baixo do braço de Miúda e acaricia a sua barriga, sente-se feliz por estar com a amada, sentia tanta falta, sabia que momentos como esse eram raros.

 

Continua.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

E como você segura a sua loucura?

 

 

Dear Prudence, won't you come out to play♪

 

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“... Me da tristeza quando reparo que não posso fugir do plano que tracei para mim. Algo maior que minha vontade maior até que aquilo que sustenta o sol e não o deixa cair e que também não deixa que meu lado insano seja apresentado, talvez seja falta de coragem não sei se conseguiria manter a minha loucura até para ser louco precisa ter coragem. Coragem. Coragem deve ser a palavra que foi exilada do meu dicionário e das coisas que sei fazer e ter, não sei ter coragem e não sei fazer com que ela funcione constantemente. Nessas horas em que minha loucura se faz presente na minha mente e eu prometo enlouquecer, minha cama aparece e ai parece ser a hora certa para deitar, como todo bêbado que tem sempre o dinheiro da passagem para retornar ao lar eu tenho sempre vontade de voltar ao escuro dos meus olhos e às vezes para o branco do teto, para o nada do silêncio e para o tudo da minha mente. Outro dia nasce outro se perde nas horas, no tempo dos meses nas semanas dos anos, mas nada adianta, tempo é remédio só depois que passa, tristeza permanece depois que todos dão boa noite, a alegria e as vozes se fundem em uma caixa e resolvem também dar até logo. O silêncio me perturba. Para as amadas uma companhia, para os amantes os desejos de uma noite cheia de sexo e para os que pensam uma noite longa que parece ter vida própria e pensamentos e mente que trabalham a toda velocidade. Imagino casas e vidas que gostaria de morar e ter, homens que gostaria de conhecer e amizades que gostaria de fazer. Às vezes me alegro, é bom, deve ser felicidade, mas fico em duvida se estou imaginando-a ou é mesmo, impossível, não podemos ter aquilo que não sentimos que temos. Eu não tenho felicidade. E não me sinto feliz. Posso colocar muitos sorrisos nas faces que tenho no dia, posso ser a mais alegre e a mais empenhada, a mais qualificada, a mais. A mais. Mas de noite vou ter que me encarar, não da pra mentir, não da para ser aquilo que finjo, só existe uma verdade de cara a cara com o meu eu. “Eu não estou bem” mais uma vez cama, mais uma vez pensamentos, imagino, é bom mais é passageiro. O mundo que criei me faz mal prefiro ficar mais tempo dormindo que acordada, mas tenho que continuar, mais um dia, mais sorrisos. A mais...”

 

Querida Prudence, você não vai sair para brincar?  ♪

(Beatles- Dear Prudence)

terça-feira, janeiro 04, 2011

Enquanto ele diz “ quem sabe poderia ser amor” ela lhe diz “Vem aqui amigo”.

 

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- Aqui... E aqui... E te mais uma aqui...

Ela ri.

-Para de rir!

- Não consigo faz cocegas...

-Nunca conheci ninguém que senti cocegas nas costas...

Ele traça uma linha imaginaria com indicador unindo uma pintinha a outra.

Ela vira de barriga pra cima e o encara: Você já passou protetor?

-Sim...

-Até no rosto?

-Unh... Não.

-Ah bonito em? Cadê... - ela procura o protetor na bolça que está na ponta da cama- Achei.

Passa um pouco do protetor em suas mãos brancas e pequenas. Ele fecha os olhos.

-Você fez a sobrancelha?- Ela ri.

- Não! Ela é assim mesmo... Nasceu perfeita.

-Convencido- e ela continua a espalhar o protetor.

-Ei! Vocês ainda estão ai! Vamos se não fica muito tarde para irmos pra praia- Um senhor com os cabelos um pouco grisalhos segurando uma cadeira em uma mão e o guarda sol na outra.

- Oi Tio!- Ela cumprimenta- Estou esperando a ligação do Roger...

- Entendi, mas o Luciano está esperando por alguma ligação também?

Ela olha para cara do Luciano sem entender a pergunta do tio.

O tio vendo que eles não entenderam continua- É porque ele está aqui também, a Rosa está esperando por você lá na praia, quer dizer, a Rosa, o Júlio... E vocês dois aqui de papo.

- Calma seu Carlo- Luciano diz- Estava só colocando o papo em dia, faz tempo que Marcela e eu não nos vemos... E...

- Tá bom... Tá bom... – o tio interrompe sem paciência e vai embora.

- Ah que velho chato!- Marcela diz- Está precisando de uma velha pra acabar com esse mau humor dele.

Os dois dão risadas.

Deitados na cama um do lado do outro brincam com as mãos, estralando os dedos... Ela passa mão entre os dedos dele.

- Lembra quando a gente brincava de banco?- Marcela diz.

-Você sempre ficava com mais dinheiro, teve uma vez que me despediu até e não queria me pagar pelas 5 horas que trabalhei.

- Claro! Cinco horas! Para que iria pagar?

- Mão de vaca!

Ela ri... – Que eu saiba quem queria pagar meia naquela igreja em que entramos lá em Minas, que o ingresso era 1,50, é você.

- Nossa você ainda lembra-se disto?

-Claro... Você quase que derrubou um santo que estava no altar... E também...

O celular dela toca.

Ele ainda está rindo, não escuta o celular tocar.

- Meu amor! – Ela atende ao telefone.

-Amor?- ele sente o coração disparar, “que coisa gostosa”... Quando a encara percebe que ela está falando ao telefone.

- Estou morrendo de saudade também, estava aqui esperando você me ligar...

Tô aqui de bobeira, porque demorou tanto?

Sem graça Luciano sai do quarto tentando fazer o mínimo barulho possível, mas poderia fazer qualquer barulho que quisesse Marcela nem se lembra mais que estava conversando com Luciano... O mundo dela está voltado para o homem de voz forte e penetrante.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

A cor das frases

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Uma poltrona para sentar, um livro para ler, um dia de chuva, um dia nublado de saudade.

Ah existe uma menina sentada na janela... Com desejo que tudo pare por um segundo ou quem sabe por vários dias para que ela possa decidir o que quer e para onde quer ir, mas o mundo não para. Não para ela e nem para ninguém.

Pela janela da sala ela pode ver o céu nublado, cinza saudade, um dia cheio de tristeza um dia em que alguém pode amar ou pode estar morrendo... Alguém nasce e um bebe chora... Todas as coisas estão acontecendo sem pedir permissão sem querer saber se queremos ou não que elas aconteçam, pois tem vida própria, são donas de um destino no qual fazemos parte sem querer sem saber.

Desiste do livro e deita no sofá o dia parece que será longo, não aguenta mais ficar em silencio com a sua mente, pergunta-se em que parte do caminho seus questionamentos começaram a lhe dor de cabeça, e pensa... Pensa. Pensa. Os questionamentos se confundem com a realidade um sono... Um sonho chega aos seus olhos pesados como a chuva que cai lá fora, e o sono... Adeus mundo. Um adeus breve, um até logo...

Em seu sonho as cores se misturam com uma face que a tempo não vê de perto, frases soltas “Que bom ver você te perto...” ela quer rir mais não consegue, pois o rosto dele está com várias oscilações de cores... Ela quer abraçar, quer ficar mais perto- só mais um paço- nada mais. As mãos que se tocam os olhares que se cruzam. E por um breve instante ela sabe que foi feliz, que um pouco da saudade morreu e mais um dia amanheceu. A realidade fora do sonho é cruel e sem cor.

Levanta, quer água, quer ir embora... Quer ficar.

Uma sensação boa toma conta do seu corpo- será uma premonição?- não acredita nessas coisas. O telefone toca- Alô?- do outro lado uma voz forte, conhecida que a tempo ela não escutava, mas acabara de escutar em seus sonhos “Que bom ver você de perto”, sente as pernas bambas- Lilian?- ele chama mais uma vez...

Era uma boa premonição...

domingo, janeiro 02, 2011

Mais do que a minha bipolaridade permite.

 

“E o que sou? Além das palavras que me vem em mente, que se criam e forma histórias que me cutucam que me fazem levantar da cama e digitar tudo. Sou isso apenas. Sou definições de escritores que jamais verei, sou personagens inventados, tirados do mais fundo poço de um escritor, sou a música do vilão da novela e sou a tristeza dos feriados que odeio, do carnaval ao natal. Sou alegria das manhãs e às vezes a chatice da hora de ir embora, a emoção do acabou, a pessoa que chora enquanto todos dão risadas e a pessoa que da gargalhada enquanto os outros choram. Sou do contra. Mas para mim estou na direção certa.

Ou talvez eu não seja nada disso.

E tudo isso seja uma grande mentira de palavras bem unidas.

Não sei. Não sei. E talvez nunca saiba, viverei anos ou dias, com a mesma essência de quem sente cada emoção a flor da pele e que esconde todas elas embaixo da epiderme.”

 

 

Feliz 2011!

Olá amigos, espero que esse ano os sonhos passem para esse mundo real e que os medos possam ser superados, os corações conquistados e o mundo um lugar melhor para se viver.

Quero informar eu não vou mais pegar os selos desafios que recebo de vocês, eu sei que vocês me indicam com todo carinho, mas por motivos especiais, não postarei mais. Obrigada pelos selos, pelos comentários por todo o carinho.

Então está dada a largada para mais um ano aqui No Recreio, espero, de mim mesma, que eu possa está presente não só aqui como nos blogues que tanto gosto. Sei que será um ano mais que novo pra mim, mas bem diferente, mas quando amamos algo não importa se o tempo é curto sempre arranjamos um tempo e é assim que vou fazer com blog sempre tiver um tempo.

Beijos e abraços.

Luana Santana