Mostrando postagens com marcador um casal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador um casal. Mostrar todas as postagens

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Lua visita

4191280172_a0ee7f5893_z_large_large

 

 

“Amarrei o cabelo e depois passei a mão no espelho, agora tudo estava nítido “ah se a vida fosse assim, só passar a mão” peguei o vestido de alça, todo florido de fundo branco e o vesti, fechando, depois muito esforço o zíper atrás. Olho para os perfumes que estão na frente do espelho e escolho o de vidro transparente com tampa vermelha, passo, respiro, sinto... Estou com ele, é o seu cheiro. Coloco o perfume dele no lugar e saio do banheiro- Amor, que horas a sua mãe vai chegar ao metro?- ele entra no quarto com uma xicara de leite puro e outra com chá e esta me entrega- Não sei Lua, ela me disse que ia ligar quando estivesse saindo da casa da minha tia- ele passa atrás de mim com a sua xicara de leite enquanto eu fico com a minha de chá, tomo um gole, perfeito- Então vamos com o meu carro, por que ai deixo vocês aqui e depois vou pra casa- termino de tomar o chá, pego a carteira, celular, blusa de frio e coloco tudo dentro da mochila e a fecho- você podia ficar aqui...- ele diz, e eu não vejo o que ele faz ainda estou de costas- É meus pais poderiam simplesmente concordar com isso né? Estou aqui desde sexta!- viro-me- e ele está tomando leite e depois coloca a xícara vermelha na mesa ao lado cama- e dai? Faz pouco tempo...- Eu caminho até a cama- Lobos, hoje é Domingo!- ele ri- então... pouco tempo- sorrimos- sento na cama, enquanto ele ainda me encara- semana que vem, você que vai lá casa- lhe digo- mas você nem tem cama de casal- ele responde e percebendo a minha cara de nervosa ele complementa-... Que é melhor claro, ficamos mais juntinhos- ele sorri- você só quer ir pra lá por causa da cama- levanto, mas ele puxa meu braço- se você me mandar para o inferno, a única coisa que vou querer saber é se você vai também- ele me puxa e no segundo seguinte estou em cima dele- Eu te amo, você tem que saber disso.- Meu coração dispara e eu o beijo, e parece que meu folego é infinito, entre a pausa e de um beijo e outro- Acabei de tomar banho- lhe digo- O que tem a ver?- Ele da risada- Você ia me convidar?- Claro... Coitada dessa cama- rimos e depois nos beijamos- nós não saímos mais daqui- eu digo- Claro que não? Semana passada estávamos na praia- rimos- é verdade-sinto sua mão nas minhas costas, abaixando o zíper que tanto me esforcei para fechar, mas ele é assim mesmo, ele faz das coisas difíceis, simples, bonitas e profundas. Deve ser o jeito que ele deixa a barba por fazer, ou jeito que me toca que me beija que faz o chá, que me diz que o tempo passa rápido e que tudo pra nós é pouco, nem quero entender, ou justificar... fico por aqui, entre as suas mãos e as roupas nos chão...”

Lu toca a campainha.

Lobos aparece na janela- Olá!- parece mais que surpreso, parece que avistou um fantasma-estou descendo.

Como vai?- ele pergunta dando espaço pra ela entrar.

Ela não responde e lhe entrega o papel nas mãos dele- vê nossas fotos? Vai até o jorjão me ver cantar e agora isso- ela lhe mostra o recado que recebeu dele- que porra você está fazendo Daniel?- ela chora, grita, treme- Você vai embora, e em um belo dia você volta- ela chora- como se tudo fosse simples assim?!

Lu- ele começa- eu te amo, você tem que entender isso. Eu sei, eu errei, fiz merda, mas eu te amo muito e a culpa não foi só minha, você tem que...- Ele teme em dizer- que concordar.

Lu o encara com os olhos vermelhos e lápis escorrendo- Nós íamos casar...

Lobos a encara tem vontade de chorar e de gritar, mas apenas diz com calma- porque você teve que acabar com a vida do nosso filho?

Os dois se encaram. Ficam em silêncio. E ninguém sabe como justificar.

A ida. E o fim.

 

Não entendeu? Leia : canto-se, escuta-me, peço-te; Lobos pra Lua; Sem querer te faço canção- Lua pra Lobos;

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Sem querer te faço canção- Lua pra Lobos

DSC_0113_large

Você sabe que quando não estamos fazendo nada ela pega o violão, senta ao meu lado e ali fica me encara enquanto digito no notebook- você vai queima esse seu computador- ela diz enquanto seus dedos passam pelas cordas do violão- É eu sei, mas é rapidinho eu já vou tirar ele daqui- digito mais algumas coisas e desligo, fecho. Levanto da cama com o notebook em mãos e o deixo em cima da mesa perto do outro computador, volto pra cama, deito colocando as mãos atrás da cabeça- E ai?- olho pra ela que ainda está passando os dedos nas cordas, sem tirar um som exato dali, sem uma canção conhecida, sem sua voz tomar o ar- Vai cantar pra mim?- pergunto, ela não me olha, pelo contrário, fecha os olhos e no segundo seguinte seus dedos se posicionam no violão. Ela começa a cantar, com sua voz forte, pois não tinha cantando hoje ainda- “Te pego de tudo, te pego do foço, te trago do mar... Faço-te canções, te entrego canções, a luz do luar... Falo bonito, te compro um livro pra se apaixonar. Sou você quando ama, eu na cama, a te esperar. Sou um sol ou um mi, pra você me amar... Te entrego meus dedos sujos das cordas de tanto cantar... Sou um pedaço do livro, palavras escritas em negrito, será que você vai se apaixonar?”(1)- Ela para de cantar, enquanto eu procuro encontrar a música “ de quem é? Vanessa da Mata? Lenine? Ana Carolina?”- É minha- ela diz esclarecendo as minhas duvidas- Sua?- pergunto surpreso- sim.- ela responde como se fosse simples e comum fazer uma música- Na verdade- ela começa a dizer- só tenho a letra, a música em si não tenho definida ainda- ela me encara finalmente- Porque não canta lá no Jorjão?(2)- Ela me encara outra vez- Daniel, não da pra cantar lá ainda, você escutou meu violão? Está desafinado, preciso arrumar ele, eu não toco direito, sou péssima, não sei como ainda tenho essa coragem de ir cantar em um lugar publico- ela parece nervosa e triste- Amor, para com isso. Desculpa, eu não faço a menor ideia do que é desafinado ou afinado, mas a sua voz eu tenho certeza, ela é ótima, e podemos resolver esse negocio do violão, com aulas e mandar arrumar o que acha?- ela me encara e depois volta para o violão, meu coração dói um pouco “que ciúmes dele, sempre com ela, sempre...”- But oooooooooh- Ela começa a cantar- There's a little bit of me inside you(3)- ela para com os dedos entre as cordas, sua voz rouca, mas só quando canta demais, faz da canção um estilo “Adriana Calcanhoto”... –é pra mim?- pergunto- ela sorri- está tão na cara assim?- Ela sorri, deixa o violão de lado e vem pra cima de mim- Eu te amo- me diz séria, como se fosse uma bronca- Eu te amo- digo, sorrindo como se fosse uma brincadeira. A brincadeira mais séria.

tumblr_led5pmfHDA1qar23fo1_500_large

Enquanto ela lê o bilhete seu coração sorri, ao lembrar também daquela tarde em que cantou uma canção feita por ela pra ele. Daniel ou “Lobos” como os amigos chamavam e ela também desde que se conheceram, ele sabia como emociona-la, seu coração ainda estava disparado, ela sabia que não deveria ir, correr atrás, o que ele fez a machucou de mais, mas ela o amava, o amava tanto. Enquanto dirigia perguntava-se “viver o resto da vida sentindo saudade, amando o que não posso mais ter ou deixar o orgulho de lado, sarar as feridas e perdoar e tentar viver bem com o meu amor?” Liga o rádio “a música que vai tocar, vai decidir” liga o rádio e pra sua alegria, coisa do destino ou acaso um homem de voz grossa e marcante canta- “... És parte ainda do que me faz forte...” (4) Ela nem escuta o resto, já sabe pra onde ir.

 

…

 

1. A música que a ‘ela’ canta, é minha, e é verdade que não tem cifra ainda, não tentei passar ela para o violão, como no texto, meu violão também está péssimo.

2. Jorjão- é nome do bar onde ela canta, no primeiro e no segundo texto ela esta cantando lá e o Lobos/ Daniel está lá para vê-la cantar.

3. A música que ‘ela’ canta em inglês é da banda Kings of Convenience-e o nome da música é- Me in you- ela canta está parte “Mas oooooh Tem um pouco de mim dentro de você”

4. A música que ‘ela’ encontra na rádio é da Legião Urbana- Giz.

domingo, fevereiro 20, 2011

Lobos pra Lua

 

tumblr_lg1u3fJc7Q1qe7cixo1_500_large

 

“É justa essa tua calça. Essa tua nota de dez no bolço de trás. Ela entra no quarto, tira a roupa vai ao banheiro. O tempo passa, eu olho pra televisão desligada. O quarto quando você entra já vê a mesa de canto com um computador preto, ainda na entrada da porta, a tua direita, um guarda-roupa marrom com seis portas e lá... Depois dele o banheiro. Ela sai do banheiro com uma cueca preta, com os braços cruzados sobre os seios, com cabelos soltos, com a pele morena a mostra... Minha cama fica nesse meio... Cama, porta do banheiro e guarda-roupa... Ela passa... Para de costas em frente da cama, parece que esqueceu algo, que não sabe o que fazer agora- vem aqui?- chamo, pergunto, quase afirmo- passo a mão na barba, estico as pernas, respiro fundo, ela vira, me encara e sorri, não sei dizer sobre esse sorriso, sobre olhos, só sei pensar que a quero agora, do jeito que está, nesse sábado a atarde com o mundo correndo lá fora, com o sol queimando gente, com o mundo nos excluindo... Ela vem, deita de bruços- me encara. Deito de bruços também, a encaro- Oi?- ela me diz- você vem sempre aqui?- eu não aguento, dou risada, adoro quando faz que não me conhece- não, não venho- respondo- na verdade, eu estou aqui escondido- lhe digo- ela sorri- escondido?- sim- respondo- interessante, porque está aqui escondido?- ela me pergunta- minha namorada, ela não ia gostar nada, nada de me ver deitado  com você...-ela ri- mas não estamos fazendo nada...- fica vermelha, ela não sabe me dizer nada mais quente, apenas ri quando fica nervosa, ficando vermelha... É simples- não é isso que eu estou pensando... - respondo e coloco minha mão sobre suas costas nuas- ‘eu’ estou pensando... - tento dizer, mas ela não deixa, vira-se e me beija, levemente... - não vá contar a sua namorada em?- sorrimos- claro que não...- A beijo- eu acho até que ela já sabe...- ela me beija- eu tenho namorado também, então... Somos dois amantes?- ela sorri com os olhos, agora entendo o que é esse negocio de sorrir com os olhos, pois não da pra ficar sério com os olhos, fazer olhos de mau e depois sorrir (ao mesmo tempo) fica estranho, e ela me sorri, com os olhos e corpo, me abraçando-somos sim... - respondo, abraçando teu corpo... Ficando ali, com a pluralidade de mulheres que mora naquela mulher...”

Escutando ela cantar, lá em cima daquele palco com um violão preto parecendo estar feliz, ele sente uma lágrima, teimosa e salgada fugindo dos seus olhos.

Toma um gole da sua cerveja e depois se vira para o balcão, do bolço esquerdo da calça ele retira um bloco de anotações. O abre. Em seguida pega uma caneta dentro do palito e começa a escrever sobre o papel.

2941136228_e7f20813ba_large

Enquanto ela canta…

“….Depois que o mal tempo foi... Eu vi você chegando... Trazia o rosto doce, bom e aliviado nada mais incerto... Voltávamos a ser então o tal casal- Apaixonado, apaixonado….♪”

 

“Lobos pra lua. Hoje me teimei. Queimei-me. Lembrei-me de você. Fui lá e vi tuas fotografias. Eu, em meus estado e estilo de vida feliz, preciso, em alguns dias, lembrar de você, ver teu rosto, só pra eu ter certeza que passou que nada ficou e limpar o que restou. Obs. A música da Vanessa da Mata, ficou maravilhosa na tua voz”

Depois que escreve chama a balconista- Entrega isso pra mulher que está cantando?

-Sim senhor- a mulher pega o pequeno papel.

Então ele vai embora.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Canto-te. Escuta-me. Peço-te...

 

Em uma sala pequena, jogada no sofá, com uma palheta em mãos...

 

il_570xN_220014575_large

 

“Ensina-me, essas tuas dores. Ensina-me. Quero aprende-las e senti-las. Aprender a senti-las. Quero detê-las na palma da minha mão e joga-las sobre a mesa, encara-las e dizer a elas “vá embora, vá...”, mas sei que elas não iram, não vão me escutar, me obedecer... Não vão. Vou ter que devolvê-las a você, pois são suas e nada posso fazer. Não tenho como acabar com os teus medos, teus receios, suas cismas... Nem saberia como... Nem por onde começar. Pra nada sirvo então. Só tenho essas coisas bobas de às vezes te fazer sorrir e noutras te fazer falar besteira, te irritar a ponto de você cansar de brincadeiras e me olhar na cara “dá pra conversar sério com você?” eu me assusto, fico feliz... “mas tento te falar sério, sobre coisas e sentimentos certos, mas você não me escuta, não lê meus olhos... Não quer me enxergar...”. Ai você percebe que a criança é você e que quem precisa superar coisas e momentos é você... Então você retoma, brinca e me faz sorrir, eu acho bom, mostro os dentes, estou feliz. Mas é que às vezes nem meu bom humor é bom pra você, não é o bastante... E um defeito meu já acaba com a minha imagem... Ai você já me destrói... Noutras nem confia em mim... Nem acredita na fé que tenho em ti, nas minhas palavras cortantes, salgadas, doces... As doces que poderia te dizer ao pé do ouvido... Mas você também não quer escutar -“não gosto de doce”- e eu digo “nem eu, nem desse doce que você faz comigo...”.Então é assim: ame-me do jeito que sou. Com meus risos soltos, com as minhas brincadeiras constantes, com meu açaí na tigela e meus alargadores azuis. Ame-me nas minhas horas sérias, na minha cama deserta e na minhas fases de solidão. Ame-me assim, de cara limpa, nas quintas de sol e nas tardes de chuvas. Ame-me do meu jeito bom e com todos os defeitos que tenho, com meu jeito retângulo de ser e pensar, com as minhas teorias de “ninguém é de ninguém”, com meu jeito de dizer que acredito no amor mesmo chamando o casamento de “ritual macabro”... Mas na verdade preciso de carinho tanto quanto você precisa, preciso que me escute gritar e noutras rir e rir... Preciso que me aceite, eu quero, eu gostaria... Mas se por acaso você não poder ficar ao lado de uma pessoa assim... Que tudo bem, não tem tanta beleza assim, nem ousadia... Uma pessoa que vê hora certa pra cada coisa e vulgaridade... Se não puder e nem pretende poder, por favor, vá. Vá, pois eu não sei te mandar embora. Não sei não te falar... Não sei... Faça o que eu não tenho coragem de fazer, acabar com o que nem existe realmente, acabe com esse sentimento que só existe no plano das ideias, no plano dos sonhadores, no plano daqueles que tem fé. Eu tenho fé. Só não sei se posso ter você...”

 

2941136228_e7f20813ba_large

 

Depois que penso alguém me chama – Hey, você está pronta.

Desço as escadas pretas e subo no palco, minha voz vem, meu sentimento também...

Olho nos olhos daqueles que não me enxergam, parece que estou olhando pra você. Mas assim como um sorriso no rosto “boa noite”- sento no banco e pego meu violão preto-1...2...3...1,2,3...4- Depois que o mal tempo foi... Eu vi você chegando... Trazia o rosto doce, bom e aliviado nada mais incerto... Voltávamos a ser então o tal casal- Apaixonado, apaixonado- ...

 

Música*Vanessa da Mata- O tal casal

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A Lua e o Arlequim.

 

Olá pessoas.

Pela primeira vez No recreio, temos uma parceria de textos. Graças ao bom Renato Russo e o facebook pude conversar com outro blogueiro Carlo Lagos, dono do blogue Fato sem palavras (visite ^^), e assim surgiu esporadicamente, a ideia de um texto.

Um texto que foi feito entre meu Chico Buarque e o poeta que habita nele. Espero que gostem, e eu também espero por outras parcerias (fica a dica).

Obs. Agradeço ao Carlo por essa parceria, nunca tinha tido a oportunidade de escrever com outro blogueiro ou qualquer coisa do gênero. Gostei bastante.

tumblr_legxeyUfRY1qb2egqo1_500_large

Te imaginei por tantas vezes nua entre a garoa de Sampa. Te imaginei tantas vezes brigando com esse cara que vejo no espelho e já tentei enfiar a mão por quatro vezes. Retalhar-me, me agredir na pista entre os versos singulares de nós mesmos não ia me fazer mais homem, menos romântico. Sentarei na cama de pé com a vontade de ir te mostrar lá fora o que ainda não perdemos, sento na cama deitada com o teu desejo de me deixar ali, o mundo, se quiser, que espere e amanhã nos de outra manha, outro dia, mais um e quem sabe iremos. Terei a tristeza de dizer tchau, mas alegria de voltar é maior e essa me consome. Por favor, sem ataque de maricas agora, mocinho, desamarre aquelas três fitas da Mãe Oxum que usaste como simpatia na semana passada. Solte também, bem de leve, o coração. Ame mais...em silêncio...a você mesmo. Algum dia o amor vai te acordar, vai te bater com espinhos de rosas vermelhas e algumas violetas para te alegrar. Posso trazer teu café se quiser, posso acender o próximo cigarro, sometimes, me sinto tão só, tão puto, tão profano em mim mesmo que guardo tais desejos de lhe ter aqui. De estar aí. Mas que segredos lhe conto, que tristezas que escondo de baixo de nossa cama, só pra te agradar.

Deve ser esse seu jeito rude, teu jeito de dizer que não dá, e depois me dizer que venha, venha logo, vai ser perigoso, mas já disse, eu quero. Sinto o delírio dos espinhos, o sangue que escorre, a pulsação que vem, penso que estou morrendo, transbordando em sentimentos, mas talvez esteja amando ou quem sabe apenas acordando. E este é você, o cara das minhas rosas, dos meus espinhos, o que brigo e depois ligo e digo “vem...”. Faço questão de te seguir, entre raios, entre noites mal terminadas em um bar da Lapa, entre as paredes rabiscadas com o seu batom vermelho com juras de amor eterno, até o amanhecer. Não me deixe mais sonhar com recados de ‘’bom dia, a nossa noite foi perfeita’’. Só tenho acordado com o vazio da cama, a voz delicada da Adriana Calcanhotto e o vazio do meu ser. Da falta que me falta poder morder delicadamente a tua nuca como quem aprecia um bom chocolate.

Corro risco de estar em um caminho sem volta, em uma avenida da eternidade e esse será o meu último romance... Arrisco. “... E qualquer desatenção, faça não pode ser a gota d'água...”. Entre os medos que enfrentaremos e as pessoas que existem entre nossos corações, te peço em segredo, em cada beijo e olhar, que não me machuque, pois você sabe e ainda sente, que é dor de mais pra uma vida, e ter duas doses dessa dor...Seria a gota d’água. Deixe escorrer entre os dedos os sentimentos ruins e deixe de nós o que for futuro. ‘’Deixe em paz meu coração’’. Não, não lhe peço que se ausente de forma total de minha vida e assim tornando maior o vazio em meu peito, menor o meu ser. Só te peço que me espere no porto. Estou pra desembarcar em breve, logo pisarei em terra firme, pois até então vivo viajando num niilismo que tomou conta de tudo. Não afogarei em nada a tua lembrança, o amor se criou em mim e ele há de saber como se alimentar, ou (sobre)viver.

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água... (Chico Buarque- gota 'd’água)

sábado, dezembro 18, 2010

Enquanto ela batiza essa nuvem de amor, ele acha que é especial.

 

tempo que passamos juntos vai ficar pra sempre
Intimidade, brincadeiras, só a gente entende♪

tumblr_l7n3yidL611qbr1zko1_400_large

…

-E por que será que eu não gosto em?

-Não sei você nunca gosta de nada.

Os dois se encararam e deram risadas. Ele pegou-a pela cintura e a levantou na altura do balcão que ficava ao lado da churrasqueira.

- Ei isto aqui deve está sujo

- Calma está tudo limpo... - ele deu um sorriso sapeca.

-Por que será que senti algo de mal em seu sorriso?

- Porque você gosta de pensar besteira.

Os dois riram.

Ela passou a mão em seu rosto enquanto o rosto dele caminhava em direção aos lábios dela. Quando os lábios se tocaram os dois riram com o estralo alto que fez.

- Fez cócegas- Ela disse coçando o lábio superior com o dedo indicador.

Ele riu- Desculpa.

- Não, eu gostei, aliás, sempre gosto quando você me beija desse jeito, parecendo beijo de criança- e ela voltou a acariciar o rosto dele.

- Vamos filmar?- ele sugeriu- Assim a gente pode ver sempre... Sabe... Pra quando você estiver com saudades de mim e eu de você.

-Filmar?- ela riu com a ideia- Tudo bem...

Então ele tirou o celular dele do bolço e entregou para ela e sem avisar pegou o celular dela que estava no bolço esquerdo da jaqueta jeans dela.

- Você filma de um lado e eu do outro tá?- ele avisou e ela aquiesceu.

Então os lábios uniram-se em um estralo. Ela riu novamente e coçou o lábio superior enquanto ele salvava o vídeo no celular dela.

- Aqui está – ele disse entregando o celular- Um vídeo da nossa felicidade- Ele sorri e ela sentiu que aquilo só poderia ser mesmo felicidade.

Ela também salva o vídeo da felicidade no celular dele e o entrega.

Ambos os olhos se encontraram e se perderam em um labirinto de sentimentos que estavam à flor da pele. Nem um mês que estavam juntos, não poderia dizer se aquilo já era um namoro, mas poderia dizer que era felicidade. Ele pensando em como aqueles olhos negros e muito bem contornados, o deixa louco e caído de amor, que mesmo nunca sabendo o que era amor sabia que aquilo era diferente, poderia dizer que era amor? Não sabia, apenas sentia que algo estava acontecendo e esse algo era especial, pensou nas bocas que já havia beijado e depois nos caminhos que levaram a beijar esta boca, caminhos sombrios que não teriam fim se não fosse por ela, amiga e agora... Não sabia definir. Ela, flutuava em nuvens que já batizará, era amor, estava flutuando perdida de amor, sentia suas pernas fracas e quando sua mente conseguia pensar com mais exatidão se perguntava se aquilo teria fim, sabia que não suportaria viver sem ele, sem o seu coração batendo, sem o seu corpo buscando oxigênio, não saberia. Sentiu dor em todo corpo só de pensar em perder ele (E só de pensar em te perder por um segundo♪) Não... Não queria pensar.

Dois anos depois.

- O que é isso no seu celular amor?- pausa, sem entendimento a pessoa pergunta confusa mais uma vez- Vídeo da felicidade?

A menina de olhos negros busca pela resposta, por uma mentira, mas não consegue...

 

Recado da Blogueira.

Olá amigos, nossa isso está ficando cada vez mais comum né?

Mas eu sou estou passando aqui ( em forma de recado) para agradecer o carinho de vocês amei os recados que recebi tanto no blogue como no orkut ( de alguns blogueiros) me desejando um ótimo dia entre outras coisas especiais por ser meu aniversário. Muito obrigada mesmo vocês são maravilhosos.

Beijos, Luana.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

E se você puder sentir poderá ver.

 

 

Half of what I say is meaningless But I say it just to reach you…♪(TheBeatles)

4710191391_915e52b972_z_large

Você e eu na cama eu olhando para cima tentando me concentrar na sua mão que brincava com os meus dedos finos. Desviei meus dedos da sua mão traiçoeira e comecei a brincar com os seus cabelos, apenas sentia as mechas grossas que passavam por meus dedos, seu cabelo liso que eu imaginava ser da cor da escuridão que vagava em meus olhos.

Sinto que você se aproxima do meu corpo e encosta sua cabeça na minha barriga e outra vez procura por minha mão e começa a brincar com ela.

- Como está o céu hoje?

Ele respira fundo, se aconchega na minha barriga, me abraça mais com as mãos do que com os braços e finalmente diz “hoje o sol acordou cedo e está forte, não está com calor?”.

- muito.

- quer que eu ligue o ventilador?

- eu quero que você fique aqui...

-mas eu vou continuar aqui, só irei ligar...

- não precisa.

Depois de um susto percebo suas mãos em meu rosto, passando por meus lábios e depois pelas bochechas...

- você é tão linda. – ele elogia.

- Não é verdade... – eu não concordo.

-como pode dizer uma coisa dessas?

- como você pode dizer uma coisa dessas?

Senti seus lábios carnudos pressionando os meus, sua língua macia acariciando a minha e depois fugindo das minhas vontades.

- Eu te amo.

Eu não consigo dizer nada.

- E não importa se você não acreditar, pois vou ficar com você para sempre até que você acredite que eu amo você independente de qualquer empecilho que você crie.

- Você é tão jovem... E pelo que minhas mãos me transmitem você é lindo, por que se prender a mim?

- E porque não me prender a você e ter toda a liberdade de te amar?

- Eu não enxergo... – confessei mais uma vez.

Senti sua mão sobre o meu seio, aquele onde em baixo mora um órgão muscular tecnicamente oco, mas sentimentalmente cheio de amor, estremeci com a sua mão ali e ele percebeu.

- Você sente isso? Aqui dentro... – ele acariciou meu coração, o oco e o sentimental.

Eu não respondi.

- Você sente algo por mim? Ai dentro... Existe algo para mim?

- Eu acho... – peguei sua mão e pressionei sobre meu coração para que ele sentisse cada batida- Que não há espaço para você... Porque na verdade ele é todo seu...

Escutei seu riso, suas mãos me agarraram sua boca se perdeu na minha novamente... Eu poderia ver tudo aquilo, mesmo que meus olhos ocos não enxergassem nada, mas meu coração também era feito apenas para bater e não para carregar tanto amor como carregava.

 

Amores

Eu ganhei mais alguns selinhos e desafios, logo mais eu posto.

Muito obrigada aos blogues que me indicaram, sem vocês No recreio não seria nada.

E quero pedir desculpas por está sumida de alguns blogs é que não estou tendo tempo suficiente para ler todos os blogs que sigo, mas sempre que posso passo pelo cantinho de vocês e leio.

Obs. Quem quiser add no msn e Orkut ou qualquer coisa do gênero no espaço “ Quem faz?” tem tudo lá.

Beijos, Luana

quarta-feira, dezembro 08, 2010

um, nove, nove e um.

 

 

63012_1653063490862_1365281226_1718949_5392793_n_large

Meus dedos brancos, sobre as teclas brancas e outras pretas, não conseguia tirar nenhuma nota do gigantesco piano, nem se conseguisse, não saberia, não sei nada sobre pianos. Meus dedos caminhavam sobre as teclas, acariciava-as, desejava o saber, o saber toca-las adequadamente que fizesse que surgisse algum som agradável, bom aos ouvidos. Mas nada. Sons perdidos que só combinavam com a música em minha cabeça, saiam do piano.

Ao meu lado havia uma estante branca enorme com várias prateleiras, na maioria delas havia livros de todas as cores e tamanhos em outras havia porta retratos em alguns deles fotos de crianças, uma delas com uma bola de futebol amarela outra foto uma menina de cabelos encaracolados assoprando uma vela de cinco anos, as fotos pareciam tão reais que em algumas delas pude sentir a emoção de fazer cinco anos, de brincar com uma bola, de correr pela grama ser criança e mais nada. A foto que mais me chamou atenção foi de um garotinho com uma camisa polo azul claro, seus cabelos pretos bagunçados, seus olhos curiosos enquanto brincava com um carro pequeno e vermelho, em suas mãos um controle remoto e em sua face um sorriso sapeca. Sorri comigo mesma desejei ter conhecido essa parte daquele garotinho que um dia viria a ser homem. Queria. Senti meu pescoço implorar para mudar de posição quando dei conta estava paralisada com uma das mãos sobre o piano e a outra sendo usada como apoio no banco e meu corpo quase todo virado para a grande estante branca e meus olhos seguiam apenas uma direção, a da foto com o garotinho, do sorriso travesso, sapeca...

Levantei do banco e fui até o porta-retratos do garotinho passei meus dedos rígidos sobre sua face fotografada, meu coração disparou, não era de verdade, mas eu queria que fosse, peguei o porta-retratos que tinha as bordas pretas e no canto quatro números, li em voz alta – um, nove, nove, um. Respirei fundo havia alguma coisa me sufocando, soltei o ar, uma lágrima fugiu de minhas emoções...

Desejei por vários minutos seguidos que aquilo que existia dentro de mim acabasse que lágrima nenhuma conseguisse mais fugir que nada mais doesse. Nada. Era como pedir para uma porta, não feche mais, não abra mais e não me tranque aqui, não deixe entrar ninguém. Então senti tudo de novo e de novo e de novo.

Precisava me recompor onde estava com a cabeça quando resolvi vim até aqui, onde estava a minha cabeça? Olhei para foto. Não sabia onde estava minha cabeça, mas sabia muito bem onde estava meu coração. Escutei passos atrás de mim, na hora coloquei a foto no seu lugar, meus dedos tentaram se esconder, fiz minhas lágrimas sumirem afinal teria muito, mas muito tempo para chorar, eu poderia segurar por mais algumas horas. Poderia.

Respirei fundo e olhei para trás. A Senhora que estava vindo vestia um vestido preto que cobria os joelhos, eu que não entendia nada de moda, apenas o achei bonito, sua face estava pálida, onde estava aquela mulher alegre? Não sabia dizer. Ela agora era apenas uma pessoa que estava também aguardando o seu momento para chorar em paz pelo filho.

Em anos de convivência nunca abracei aquela mulher, desde pequena que frequentava aquela casa ela nunca me tratou com tanto calor, mas era animada com as outras pessoas então para mim ela era feliz, apenas não simpatizava comigo, filha da empregada. Hoje quando a vi estava vindo em minha direção com tanta convicção que meu corpo, com medo, não conseguiu sair do lugar, senti que ela iria me matar, mas ao contrário do meu desejo ela apenas me abraçou. Abraçou-me! Sim.

- Eu estou morrendo Maria – ela confessou.

Não sabia o que responder todos estávamos morrendo, eu estava morrendo, estava querendo fugir, ou morrer também... Agora tanto faz.

Ela me apertou pressionou sua face contra o meu ombro e por ali ficou e por ali as lágrimas foram sendo absorvidas pela minha camisa azul marinho e por ali fiquei abraçada com a mulher que nunca tinha demonstrado nem simpatia por mim e que hoje, logo hoje, ela resolveu me abraçar, entregar suas lágrimas a mim, somente a mim.

Várias cenas da vida que eu vivi e não sabia que era maravilhosa passaram pela minha cabeça, a senhora de preto não poderia ver, nunca sabia o quanto eu a admirava, jamais, nunca poderia ter a noção do quanto queria ser a aceita por ela, de ser a sua nora querida. Ela poderia saber... Nunca. Agora tanto faz, para que saber? Por que querer começar, a saber? Por quê? Agora o que havia de mais precioso estava morto e o resto da vida que tinha sobrado em mim, a minha respiração e as minhas necessidades também estavam padecendo. Enfim aquilo era o fim. Era parte que tudo fica negro, alguém apaga luz, coloca uma música bonita e dedica tudo de belo que foi assistido para alguém que fez tudo ficar belo e eu não poderia fazer diferente... Apenas dedico...

Leonardo Campos Cardoso.

Com amor Maria Beatriz Cardoso.

sexta-feira, novembro 26, 2010

E até agora eu não sei a cor do passarinho.

 

tumblr_lcgspbqSrp1qclxego1_500_large

Não sei de qual lugar arranquei essas coisas, de quais vidas peguei esse aprendizado e tatuei na minha alma para assim viver comigo.

Mas sei que carrego comigo, levo comigo então fica por aqui.

É os momentos meu bem, são todos os momentos.

Lembra quando deitamos atravessados na cama? Ficamos por ali rindo alto das músicas erradas e antigas que cantávamos. Ainda posso escutar as risadas. Lembro que o sol queria burlar a cortina branca e nos aquecer na cama. Você ria alto, tocava na minha mão e depois dizia que queria conhecer o passarinho verde que vi.

Que passarinho menino?- questionava assim, entre meus risos e minha garganta dolorida, e o calor que começa a surgir.

Você está feliz, está transpirando felicidade Nina!

Fiquei matutando pensamentos, querendo lembrar por que estava assim por que estava rindo? Por que estava feliz? O que estava me fazendo sentir felicidade? Então parei de procurar no mundo e olhei para meu horizonte e ali estava.

Ué que passarinho?

Você ficou todo esse tempo ai pensando para me fazer essa pergunta?

...

Fiquei fitando seu rosto, há quanto tempo somos amigos? Não sei. O Hugo era aquele tipo de amigo que aparece assim em um dia e fica, fica... Vai ficando. Eu não dizia “ eu te amo” ele também não. Ele me abraçava mais demoradamente no meu aniversário e eu, repetia tal demonstração de carinho. E foi ai que cai na realidade e percebi que a minha vida era feita de momentos como aquele, de ficar de bobeira dando risada de não sei do que ou de quem, era natural não era nada marcado, ele vinha com uma sacola de bolachas e sucos de caixinhas, sem esquecer as balas de goma. Quando eu pensava em dizer “entra” ele já estava no sofá dizendo que: hoje vai passar um filme de guerra muito bom. Então ficávamos por ali no sofá rindo dos soldados que morriam, não tinha graça, mas a gente achava graça em qualquer lugar.

Meu coração ficou estufado.

Hey acorda!

Desculpa... Eu apenas estava aqui pensando em umas coisas...

Que coisas em?

...

Não queria dizer tudo, apesar de que as palavras estavam na minha boca, ficaram ali e foram chegando mais e mais, minha boca ficou cheia delas, transbordando. Meu musculo cardíaco começou a doer, precisava falar tinha que soltar elas, antes que elas se soltassem assim como um soluço que vem do nada. Eu não podia falar. Mas deveria. Mas por que iria fala agora? Depois de tanto tempo? O que tem?

Tem pessoas- assim como eu- que demoram para perceber certas coisas, pessoas, objetos, fatos, sentimentos. Eu não poderia dizer assim do nada, estragar a alegria sendo careta, dizendo eu te amo e obrigada por tudo, você é motivo de tanta felicidade, ele ficara pasmo, aliás, ele ficaria estático e se ele tivesse um treco? E eu também teria um. Certeza. Então teríamos um treco juntos. Eu ri e meu riso se enrolou com as palavras.

Tossi.

Que?

Que o que menino?

Tá passando mal?

Não...

MINHA CONCIÊNCIA: FALA. FALA. FALA.

Que nada... Foi só

MINHA CONCIÊNCIA: FALA. FALA. FALA.

... Foi só uma tosse. Então, vamos comer essas bolachas ou não?

Claro demoro Nina.

Deixei assim então. Meus sentimentos em profusão, abundância, em excesso...

domingo, setembro 26, 2010

Obrigada.








"Por que quando você estava aprendendo a dançar era em cima dos meus pés que você ficava.
Você dorme de lado, com os braços cruzados, sempre que está brava.
E eu poderia dizer tudo que sei sobre você, poderia tocar todas as músicas que você gosta e dançar com você.
Poderia ser seu protetor, seu amigo, seu amante...
Entre as coisas que eu poderia ser e não fui...
Estaria entre as músicas que não foram tocadas, seria o motivo dos braços cruzados, das lágrimas que caem...
E mesmo assim ficaria feliz de ter sido algo em sua vida."

"...Laughing with your pretty mouth
Laughing with your broken eyes
Laughing with your lover's song
In a lullaby... ♪"


Música:When The Stars Go Blue (feat. Tyler Hilton)-
Bethany Joy Lenz



Imagem :http://www.imagemnativa.com.br/

sexta-feira, setembro 17, 2010

Sem contar comigo...

"Ouvi você dizer, saudade.
E eu poderia pensar, eu só poderia querer ser... Eu só poderia...
Ser o motivo dela.
Mas ai você abraçou outro corpo, encostou o seu coração em outro, então tudo se completou.
Ou quase tudo..."

quarta-feira, agosto 04, 2010

Completamente.

“Tudo o que você faz é um motivo a mais para eu precisar de você”.

Não importa o que eles dizem sobre o amor, só dizem por que não tem um, por que não sabem o que é ter um coração aquecido, beijar quem se ama... Ser feliz.

E se felicidade é caminhar ao seu lado. Então...

“Eu tenho certeza que sou feliz.”






Obs. Pessoal! Tudo bem com vocês?(espero que sim). Quero agradecer, novamente, pelo apoio de vocês. Sou eternamente grata.

domingo, agosto 01, 2010

As lembranças que Melissa esqueceu...

Ela estava sentada naquele chão branco entre todos aqueles pacientes, em sua volta havia vários papéis coloridos e ela estava dobrando e desdobrando alguns deles e resmungava com si.

“Querida?” a chamei.

“sim...” ela respondeu no automático, sem me dar atenção.

Caminhei até ela, nervoso e ansioso “ ela lembra de mim!” pensei, sentei ao seu lado e perguntei: “o que está fazendo?”.

“Dobraduras” respondeu como se fosse óbvio, e era.
Não sabia como chamar a sua atenção que estava voltada somente para os papéis coloridos, por alguns instantes senti inveja deles: “amarelo e azul, como conseguem pegar a atenção dela para vocês?” novamente pensei.
Então em um estalo inesperado, um susto momentâneo, igual quando a luz volta depois de várias horas, eu a encarei.

“me de a mão...” cantei.

Ela parou. E largou os papéis, venci com a certeza de que a atenção dela agora era só minha, em seus olhos senti aquele calor e energia que sempre tiveram, agora parecia que estávamos nos velhos tempos, onde Melissa não era doente e lembrava-se de mim.

“... vem ser a minha estrela” ela não cantou, apenas sussurrou... Percebi em seu rosto um esforço para tentar se lembrar de quem ela era, de que eu era e de quem nós somos. Um sentimento confuso dominou seus olhos e ali percebi que não era mais a “minha Mel”. Era apenas uma jovem mulher, linda e atraente. Dobrando papéis coloridos. Depois de alguns minutos, sem conseguir dizer nenhuma palavra ela quebrou o silêncio.

E meu coração disparou.

“é melhor você não cantar essa música moço”- ela me encarou brava e indiferente, mas delicada, como sempre. - “essa música é especial para mim e meu marido” – explicou e voltou a dobrar os papéis.
Senti que estava em cima de um muro onde a felicidade ficava de um lado “ela lembrou que tem alguém... Lembrou que temos uma música”. Mas do outro lado, a tristeza me banhava com água fria, “ela não sabia quem eu era”.

Apenas a admirei outra vez e fui embora, outra vez, sem minha mulher, o amor da minha vida, saber que eu estive ali.




Música do casal: Um certo alguém - Lulu Santos.

quarta-feira, junho 09, 2010

Antes, durante e a solidão.

Não devo ser uma brasileira muito descente depois da minha última atitude. O Brasil estava jogando e eu desliguei a televisão, não sei o que está acontecendo comigo, deve ser a gripe que mexe um pouco com os meus sentimentos. Pelo menos essa é desculpa que inventei por está pensando em você nessa manhã.

Enquanto o café esfriava em cima da mesa e o pão da chapa ficava duro em um prato raso, eu olhei para a tela daquela TV e vi tantas coisas que me valeram mais do que se ela estivesse ligada. Lembrei dos filmes que já tínhamos assistido e das vezes em que apenas deixávamos a televisão ligada, enquanto nos enrolávamos naquele velho sofá azul.

Mas nada disso se compara com a primeira vez em que você esteve aqui, recordo que meus pais estavam na cozinha preparando o jantar e eu e você vendo um filme qualquer no sofá, acho que me concentrei mais em você do que no galã do filme, engraçado como a minha mão não cansava de passear pelos seus cabelos ou pelos seus braços e enquanto você encaixava a sua cabeça no meu ombro e brincava com as minhas mãos, eu poderia passar horas ali com você...

Quando voltei à realidade vi que estava sorrindo para uma televisão desligada relembrando coisas que minha mente já sabia de cor. Resolvi então despejar o café, agora gelado, na pia e jogar o pão, que agora estava duro, no lixo.

Sai da cozinha e subi as escadas até o meu quarto, minha mãe passou por mim com um cesto de roupas já passadas, reparei que ela estava com uma blusa de frio preta com uns detalhes brancos nas pontas das mangas e outra vez cai em minhas lembranças, já que aquela blusa era a que você tinha me dado no nosso último dia nos namorados; Ainda lembro que a data caiu em uma terça-feira muito fria, e você me ligou dizendo que não ia agüentar esperar até o próximo fim de semana, então eu sugeri que você viesse me visitar naquela noite, pois eu também não estava mais agüentando de tanta ansiedade e de saudade, apesar de ter te visto naquela manhã.

Você estava com uma blusa xadrez escuro de moletom e uma calça jeans escuro, segurando dois embrulhos- se soubesse que um dia sentira tanta falta de você no meu portão teria tirado uma foto sua naquela noite- quando abri o portão você me abraçou forte como de costume e beijou meus lábios calorosamente, e me entregou os embrulhos, quando abri o primeiro vi dois ursinhos em cima de um coração se beijando, com as patas para traz um segurando uma flor e outro segurando um coração, naquela hora e fiz um breve questionamento comigo mesma “por que um estava segurando um coração e outro uma flor? Por que não dois corações?”, mas no fundo eu sabia muito bem as respostas, mas não quis me importar, não naquela hora. O segundo embrulho era a bendita blusa, achei linda, na hora quis por e você riu da minha cara e me comparou com uma criança que quando compra uma roupa, já quer sair da loja usando.

É incrível como aquilo que nos faz bem pode nos fazer mal, quando você me deixou eu não suportava olhar para ela e então a entreguei à minha mãe. Hoje penso que foi um erro, pois quando menos espero me deparo com a blusa na minha frente me despertando as respectivas lembranças.

Depois de tantos devaneios, finalmente consegui chegar até o meu quarto, fui até a minha mesa de estudos peguei meu notebook; E enquanto esperava ligar, fui até o espelho para ver uma espinha que estava me incomodando, quando me olhei lembrei-me de outro momento em que estive na frente do espelho com você. Na verdade só lembro-me de algumas coisas, era um sábado atarde, almoçamos com a minha família e depois subi para escovar os dentes, e enquanto isso você ficou vendo o meu mural de fotos, quando entrei no quarto você estava lá, concentrado vendo minhas fotos “Eu achei aquele casal muito bonito... A menina me parece familiar...” você disse ironicamente apontando o dedo para a nossa foto e me puxando para mais perto, eu apenas ri e concordei. “Acho aquele rapaz muito charmoso” disse entrando em sua brincadeira, mas ficamos um bom tempo ali pois você teve uma leve birra após o comentário, mas eu deixei claro, que amava mais você do que o rapaz da foto – que, aliás, era ele mesmo- e dar alguns beijinhos, nós paramos em frente ao espelho “Nós formamos um belo casal” eu afirmei e você apenas concordou com a cabeça.

Não posso negar que tive muitas vezes o desejo de quebrar aquele espelho, rasgar aquelas fotos e queimar aquela blusa, mas o sentimento que morava em meu coração era maior que todo esse ódio, não consegui nem por um momento pensar coisas ruins de você, quando chegava perto disso a saudade chegava e me dominava por completo e as lágrimas saiam dos meus olhos sem nem ao menos eu perceber. Tive vontade de fugir, gritar, cortar meu cabelo, trocar de casa e parentes, ser outra pessoa só para não saber quem você é, não amar você, não sentir sua falta. Tentei mudar minha rotina, freqüentar outros lugares, mas não consegui, os dias se passavam com peso de meses e os meses com pesos de anos, e a saudade ia se acomodando em mim, a dor ia ficando amiga e a solidão virou rotina. O fim de semana já não passa mais rápido como quando você estava aqui, e até acho o sofá cresceu, os filmes já não me prendem mais a atenção, a sua blusa já não me esquenta mais, e os ursinhos me dão todas as respostas, que ignorei durante meses depois daquele último dia dos namorados, e o pior que você tentou me mostrar e eu não quis ver, mas lá no fundo eu sentia, e não quis dar importância, ao fato de que você nunca me amou e enquanto isso eu te entregava o meu coração.

segunda-feira, junho 07, 2010

Bem na hora ou na hora certa.

Quando me olhei no espelho naquela tarde fiquei surpresa comigo mesma, não era algo que eu sonhava, mas era incrível ver que eu consegui chegar até lá. Meu vestido tinha a costura lisa da cintura para baixo e passava dos meus pés. Já na cintura a costura ficava mais forte, como se fosse raízes subindo pelo meu corpo e indo até o final dos meus braços. Enquanto eu reparava em como aquele vestido me transformava, uma mulher arrumava meus cabelos, fazendo um coque com alguns fios soltos, para mim estava apertado de mais, já para ela estava perfeito, quando ela terminou vi que era agora ou nunca, e juro que fiquei em duvida.

Teve uma época da minha vida que eu me imaginava nessa situação, imaginava até de mais e a felicidade não cabia dentro de mim ( isso só de imaginar), mas algo aconteceu no meio do caminho, mas antes me deixe esclarecer tudo, nunca fui muito de ir até o final nas coisas que começo, mas teve alguém, um rapaz alguns anos mais velho do que eu, que me fez ir adiante sem desistir e sem escolher atalhos, porém foi ele quem desistiu no meio do caminho e pegou um atalho. E eu? Bem... Eu fiquei parada no meio da estrada durante algum tempo e depois comecei a seguir por outros caminhos, mas quando encontrava caminhos novos logo pensava “por que não esse?” E assim eu apenas ia, desistindo de uns e conhecendo outros caminhos... Sempre assim, nunca indo até o fim.

Mas hoje eu percebi o quanto consegui ir longe, longe demais a meu ver. Enquanto entrava no carro e olhava aquela velha cidade passando pelos meus olhos, comecei a refletir, fiquei me perguntando amargamente por que eu estava fazendo aquilo e se aquilo era mesmo certo, na verdade não sei por que estava me perguntando, pois lá no fundo eu já sabia as respostas. Eu queria desistir essa era a verdade, não queria mais ver aquelas pessoas, não queria mais usar aquele vestido, não queria entrar naquela igreja e não queria encarar Marcelo nos olhos e mentir para ele mais uma vez,dizendo sim.

Mesmo não querendo nada daquilo eu fui, vi todas aquelas pessoas, continuei usando o vestido e entrei na igreja e vi Marcelo, na verdade nunca o vi tão feliz, ele estava radiante, seus olhos brilhavam era de dar gosto ver um homem tão lindo com um sorriso tão charmoso nos lábios, ele era um príncipe e eu, um grande monstro vestido de branco.

Quando o padre começou o seu discurso em mim começou a faltar ar, afinal “o que eu estava fazendo? estava me casando com um homem que não tenho certeza se amo, como poderia viver o resto da minha vida assim? Com essa dúvida!" E então eu me virei e olhei para todos; Meus pais, tios, primos, amigos e por último encarei Marcelo, ele não disse nada, mas acho que no fundo ele sabia; isso era o que gostava ( ou gosto) no Marcelo ele sempre me entendia nas horas em que as palavras já não eram o bastante. E então... Eu corri, senti aquele vento quente passando pelo meu rosto, sabia que as pessoas estavam me julgando naquele momento, mas eu não me importei, e fui correndo até que cheguei a um parque, procurei por um banco e sentei.
Vocês se lembram quando eu disse que uma vez eu desejei me casar, tinha conhecido alguém, um homem que me largou no meio do caminho? Então, por destino ou não eu o vi naquele parque, estava sentado em outro banco próximo de uma árvore muito grande, eu não conseguia pensar direito, a única coisa que acontecia comigo era a vontade que crescia em mim de ir até lá e falar com ele, quando me levantei aconteceram duas coisas. Uma moça morena chegou próximo dele e o abraçou e beijou seus lábios, assim eu vi a sua mão - que um dia já tocou a minha- com uma aliança e assim eu percebi que o meu amor, meu... Antigo amor, tinha ido até o fim do caminho com alguém e que tudo que eu havia feito, toda uma vida... Vivida sem querer me envolver ou me casar tinha se transformado em uma piada e uma piada sem graça( só por ter sido abandonada)piada.piada...Como pudi ser tão fraca? Nessa hora eu só fiz uma coisa que deveria ter feito a alguns minutos.

Quando cheguei na igreja, suada e com a maquiagem se desfazendo, os convidados já estavam indo embora, minha mãe tentou se aproximar de mim mas eu me esquivei e entrei na igreja, não sei por qual motivo Marcelo ainda estava no altar, estava sentado em um dos degraus. Penso que ele fingiu que não me viu chegar, mas já que ele não levantou a cabeça para novamente me olhar, eu fui até ele, encarei seus olhos que estavam marejados e novamente não precisei dizer nada; Marcelo me entendeu novamente e pegou a minha mão e então a cerimônia recomeçou.

domingo, maio 09, 2010

Para você

Espero que você não ligue, se eu te ligar, dizendo que estou com saudade, que meu coração está com vontade, de ter o seu por perto.
Espero que você não se importe de todas as noites eu pedir, em minhas orações,para que você seja feliz, seja... com quem for.
Espero comportadamente, que outro amor venha, que arranque pela raíz tudo aquilo que você plantou em meu coração, e assim, eu também vou ligar para a felicidade.

Eu não quero de novo a velha hitória, e sim que o novo, se você resolver voltar, já vou dizendo que mudei, que agora te amo diferente, pois te amo mais. Hoje te amo melhor, pois aprendi a amar, é eu disse... Eu mudei, e tudo que mudei, foi por culpa sua, por culpa de um amor que só se fez em mim, só criou raízes em mim, enfim, só eu amei.

segunda-feira, abril 26, 2010

Sem querer.

Quando cheguei reparei em quase tudo, algumas fotos de carro, placas dizendo "pare", algumas fotos de mulheres dos anos 60, abaixo um balcão com vários tipos de bebidas, no outro canto, mesas ocupada por pessoas que só queriam curtir a calorosa sexta-feira, e no centro de tudo, no meio das pessoas que só querem se divertir, você.
Como pode? E eu pensando que isso só acontecia em filmes ou livros!
Naquele momento só algo tinha mudado, eu comecei acreditar em tudo que antes renegava, só por causa de ' você'.
Mas o mundo ainda era o mesmo, estranho, eu ainda era uma estranha a mais no local para você, mas uma pessoa querendo se divertir, será mesmo?
De inicio sim, agora tudo era relativo,pois, qual seria o melhor local para poder te admirar?

quarta-feira, abril 21, 2010

Motivos.

-...Porque é isso que eu faço, é uma busca incerta de certezas que nem eu sei se tenho, não sei muitas vezes nem o que procuro. Confessou baixinho.

-È uma ajuda de qualquer "alguém" que escreveu para o todo, todos com o mesmo problema e depois eles vem me falar de diferença? - disse indignado.

-E nos meus dedos, que correm em seus cabelos negros e ondulados é que busco o conforto e quem sabe em troca, um abraço eterno, mas que não é só bom para mim, eu sei, elas também sabem. È um bem comum, que eu odeio. - lamentou com um olhar pedido. Ele parou...

-Sabe o que aconteceu com aquele por do sol? - ela abaixou os olhos...

-O que aconteceu no olhar,...O olhar verdadeiro?- perguntou ele, demonstrando que entendia.

-Era mentira? ... Era verdade?

-Era mentira, porque eu fingi também! - confessou.

-Era verdade! Não quero mais acreditar que posso fazer de suas mentiras algo verdadeiro-Ele confessou...

-Mas é isso que eu faço!- respondeu ela-
Busco as lembranças de um sorriso... Perdido nos dias, nos anos, que se passaram. - confessou.

Ele se levanta.

- Não quero, mais essa bebida, quero novos bares, novos ares, me de um olhar perdido! Mas é em você que eu encontro tudo, mesmo com incertezas.
Encontro-te de novo para novamente, ter uma nova mentira.- pegou a mão dela e aproximou do peito-
Mas sinta o calor que tenho, a ardência da mentira, da paixão.
Prefiro ainda ter a mentira, porque é por isso que vivo, acredito em suas mentiras, porque me da força, me da coragem...

Ela respirou, fechou os olhos... E jogou as palavras.

-Porque é isso que eu faço, sou a certeza, sou a mentira...- E foi embora.

quarta-feira, março 31, 2010

as reações internas- ( part 2)- vida compartilhada

Não sei direito, por que?
Por que? é o que queria saber.
Da um aperto no peito, mas uma felicidade
constante que me faz delirar.
è você chegar e tudo ao redor não ter mais valor.

è que quando andamos juntos...é melhor.
- cuidado com a pedra.
Daremos risada por alguém rir da nossa felicidade,
iremos chegar em casa e comentar o quando hoje foi agradavél.

E mesmo que o filme fosse ruim, me perdia na vontade de fazer você se sentir bem,
enquanto você com uma criança vendo um desenho, via atentamente o filme.

Senti até ciumes, por sua atenção ser só do filme, já não sei se penso, se é para ser assim mesmo, vai ver que o filme só não agradou a mim ou se você não se importa com as poucas horas que temos juntos.
Será que não vê? que em algum dia no futuro vou sentir falta disso? Por que você não faz desse momento, um momento lindo?

Mas era só um filme...
e olha só o que a paixão faz comigo.

Mas se você me olha, me abraça, tudo bem... Tudo bem.
Já me esqueço do filme se você me olha perguntando se te amo,
se repara nos meus olhos...

Já nem sei se estou mesmo com os pés na terra...
se você afirma que eu conquistei seu coração.

Mas se você vai embora, eu fico analisando cada atitude e gesto, por que o filme era realmente ruim, por que você não me deu atenção ?...
E ainda acho que poderia ter dito que me amava mais um vez... ou mais um beijo.

Mas se eu durmo eu só sonho com você, e tudo bem lá, tudo bem.
E fico feliz de a outra manhã chegar, para poder te abraçar...
E Ainda agradeço a Deus por está frio, por que tenho mais um motivo pra não desgrudar de você...