segunda-feira, junho 07, 2010

Bem na hora ou na hora certa.

Quando me olhei no espelho naquela tarde fiquei surpresa comigo mesma, não era algo que eu sonhava, mas era incrível ver que eu consegui chegar até lá. Meu vestido tinha a costura lisa da cintura para baixo e passava dos meus pés. Já na cintura a costura ficava mais forte, como se fosse raízes subindo pelo meu corpo e indo até o final dos meus braços. Enquanto eu reparava em como aquele vestido me transformava, uma mulher arrumava meus cabelos, fazendo um coque com alguns fios soltos, para mim estava apertado de mais, já para ela estava perfeito, quando ela terminou vi que era agora ou nunca, e juro que fiquei em duvida.

Teve uma época da minha vida que eu me imaginava nessa situação, imaginava até de mais e a felicidade não cabia dentro de mim ( isso só de imaginar), mas algo aconteceu no meio do caminho, mas antes me deixe esclarecer tudo, nunca fui muito de ir até o final nas coisas que começo, mas teve alguém, um rapaz alguns anos mais velho do que eu, que me fez ir adiante sem desistir e sem escolher atalhos, porém foi ele quem desistiu no meio do caminho e pegou um atalho. E eu? Bem... Eu fiquei parada no meio da estrada durante algum tempo e depois comecei a seguir por outros caminhos, mas quando encontrava caminhos novos logo pensava “por que não esse?” E assim eu apenas ia, desistindo de uns e conhecendo outros caminhos... Sempre assim, nunca indo até o fim.

Mas hoje eu percebi o quanto consegui ir longe, longe demais a meu ver. Enquanto entrava no carro e olhava aquela velha cidade passando pelos meus olhos, comecei a refletir, fiquei me perguntando amargamente por que eu estava fazendo aquilo e se aquilo era mesmo certo, na verdade não sei por que estava me perguntando, pois lá no fundo eu já sabia as respostas. Eu queria desistir essa era a verdade, não queria mais ver aquelas pessoas, não queria mais usar aquele vestido, não queria entrar naquela igreja e não queria encarar Marcelo nos olhos e mentir para ele mais uma vez,dizendo sim.

Mesmo não querendo nada daquilo eu fui, vi todas aquelas pessoas, continuei usando o vestido e entrei na igreja e vi Marcelo, na verdade nunca o vi tão feliz, ele estava radiante, seus olhos brilhavam era de dar gosto ver um homem tão lindo com um sorriso tão charmoso nos lábios, ele era um príncipe e eu, um grande monstro vestido de branco.

Quando o padre começou o seu discurso em mim começou a faltar ar, afinal “o que eu estava fazendo? estava me casando com um homem que não tenho certeza se amo, como poderia viver o resto da minha vida assim? Com essa dúvida!" E então eu me virei e olhei para todos; Meus pais, tios, primos, amigos e por último encarei Marcelo, ele não disse nada, mas acho que no fundo ele sabia; isso era o que gostava ( ou gosto) no Marcelo ele sempre me entendia nas horas em que as palavras já não eram o bastante. E então... Eu corri, senti aquele vento quente passando pelo meu rosto, sabia que as pessoas estavam me julgando naquele momento, mas eu não me importei, e fui correndo até que cheguei a um parque, procurei por um banco e sentei.
Vocês se lembram quando eu disse que uma vez eu desejei me casar, tinha conhecido alguém, um homem que me largou no meio do caminho? Então, por destino ou não eu o vi naquele parque, estava sentado em outro banco próximo de uma árvore muito grande, eu não conseguia pensar direito, a única coisa que acontecia comigo era a vontade que crescia em mim de ir até lá e falar com ele, quando me levantei aconteceram duas coisas. Uma moça morena chegou próximo dele e o abraçou e beijou seus lábios, assim eu vi a sua mão - que um dia já tocou a minha- com uma aliança e assim eu percebi que o meu amor, meu... Antigo amor, tinha ido até o fim do caminho com alguém e que tudo que eu havia feito, toda uma vida... Vivida sem querer me envolver ou me casar tinha se transformado em uma piada e uma piada sem graça( só por ter sido abandonada)piada.piada...Como pudi ser tão fraca? Nessa hora eu só fiz uma coisa que deveria ter feito a alguns minutos.

Quando cheguei na igreja, suada e com a maquiagem se desfazendo, os convidados já estavam indo embora, minha mãe tentou se aproximar de mim mas eu me esquivei e entrei na igreja, não sei por qual motivo Marcelo ainda estava no altar, estava sentado em um dos degraus. Penso que ele fingiu que não me viu chegar, mas já que ele não levantou a cabeça para novamente me olhar, eu fui até ele, encarei seus olhos que estavam marejados e novamente não precisei dizer nada; Marcelo me entendeu novamente e pegou a minha mão e então a cerimônia recomeçou.

4 comentários:

Harry disse...

Ahh que história maluca *--*
sahusahuuhsa, mto legal...
É bom para sabermos várias coisas...primeiro que temos que tomar o caminho certo, aquele que achamos que realmente é o certo.
Segundo que quando tomarmos um caminho diferente, temos que arcar com as consequencias (no caso não foi ela que mudou de caminho, mas deve ter escolhido o errado antes do rapaz mudar)
Beijos, parabéns pelos textos maravilhosos.
;]

Milla disse...

Acho que se for pra tomar um decisão por impulso muita coisa pode estar em jogo, ainda mais se ainda restam dúvidas sobre outras coisas. Quando se tem que tomar uma decisão que pode mudar tudo como um casamento, muita coisa deve ser pensada para não se voltar atrás depois...belo texto :)

beijos

Ray Siq disse...

Ahh que máximo
gosto dessas histórias!
Amei aqui tbm querida, bem lindinho!!! Beijão super :*

Naty Araújo disse...

É sempre bom pensar antes e agir na hora certa.
Claro que nunca saberemos se é, mas nunca agir precipitadamente.

Adorei o texto e logo o título dele já é sugestivo.

Beijos, Lua.