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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Sem querer te faço canção- Lua pra Lobos

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Você sabe que quando não estamos fazendo nada ela pega o violão, senta ao meu lado e ali fica me encara enquanto digito no notebook- você vai queima esse seu computador- ela diz enquanto seus dedos passam pelas cordas do violão- É eu sei, mas é rapidinho eu já vou tirar ele daqui- digito mais algumas coisas e desligo, fecho. Levanto da cama com o notebook em mãos e o deixo em cima da mesa perto do outro computador, volto pra cama, deito colocando as mãos atrás da cabeça- E ai?- olho pra ela que ainda está passando os dedos nas cordas, sem tirar um som exato dali, sem uma canção conhecida, sem sua voz tomar o ar- Vai cantar pra mim?- pergunto, ela não me olha, pelo contrário, fecha os olhos e no segundo seguinte seus dedos se posicionam no violão. Ela começa a cantar, com sua voz forte, pois não tinha cantando hoje ainda- “Te pego de tudo, te pego do foço, te trago do mar... Faço-te canções, te entrego canções, a luz do luar... Falo bonito, te compro um livro pra se apaixonar. Sou você quando ama, eu na cama, a te esperar. Sou um sol ou um mi, pra você me amar... Te entrego meus dedos sujos das cordas de tanto cantar... Sou um pedaço do livro, palavras escritas em negrito, será que você vai se apaixonar?”(1)- Ela para de cantar, enquanto eu procuro encontrar a música “ de quem é? Vanessa da Mata? Lenine? Ana Carolina?”- É minha- ela diz esclarecendo as minhas duvidas- Sua?- pergunto surpreso- sim.- ela responde como se fosse simples e comum fazer uma música- Na verdade- ela começa a dizer- só tenho a letra, a música em si não tenho definida ainda- ela me encara finalmente- Porque não canta lá no Jorjão?(2)- Ela me encara outra vez- Daniel, não da pra cantar lá ainda, você escutou meu violão? Está desafinado, preciso arrumar ele, eu não toco direito, sou péssima, não sei como ainda tenho essa coragem de ir cantar em um lugar publico- ela parece nervosa e triste- Amor, para com isso. Desculpa, eu não faço a menor ideia do que é desafinado ou afinado, mas a sua voz eu tenho certeza, ela é ótima, e podemos resolver esse negocio do violão, com aulas e mandar arrumar o que acha?- ela me encara e depois volta para o violão, meu coração dói um pouco “que ciúmes dele, sempre com ela, sempre...”- But oooooooooh- Ela começa a cantar- There's a little bit of me inside you(3)- ela para com os dedos entre as cordas, sua voz rouca, mas só quando canta demais, faz da canção um estilo “Adriana Calcanhoto”... –é pra mim?- pergunto- ela sorri- está tão na cara assim?- Ela sorri, deixa o violão de lado e vem pra cima de mim- Eu te amo- me diz séria, como se fosse uma bronca- Eu te amo- digo, sorrindo como se fosse uma brincadeira. A brincadeira mais séria.

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Enquanto ela lê o bilhete seu coração sorri, ao lembrar também daquela tarde em que cantou uma canção feita por ela pra ele. Daniel ou “Lobos” como os amigos chamavam e ela também desde que se conheceram, ele sabia como emociona-la, seu coração ainda estava disparado, ela sabia que não deveria ir, correr atrás, o que ele fez a machucou de mais, mas ela o amava, o amava tanto. Enquanto dirigia perguntava-se “viver o resto da vida sentindo saudade, amando o que não posso mais ter ou deixar o orgulho de lado, sarar as feridas e perdoar e tentar viver bem com o meu amor?” Liga o rádio “a música que vai tocar, vai decidir” liga o rádio e pra sua alegria, coisa do destino ou acaso um homem de voz grossa e marcante canta- “... És parte ainda do que me faz forte...” (4) Ela nem escuta o resto, já sabe pra onde ir.

 

…

 

1. A música que a ‘ela’ canta, é minha, e é verdade que não tem cifra ainda, não tentei passar ela para o violão, como no texto, meu violão também está péssimo.

2. Jorjão- é nome do bar onde ela canta, no primeiro e no segundo texto ela esta cantando lá e o Lobos/ Daniel está lá para vê-la cantar.

3. A música que ‘ela’ canta em inglês é da banda Kings of Convenience-e o nome da música é- Me in you- ela canta está parte “Mas oooooh Tem um pouco de mim dentro de você”

4. A música que ‘ela’ encontra na rádio é da Legião Urbana- Giz.

domingo, fevereiro 20, 2011

Lobos pra Lua

 

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“É justa essa tua calça. Essa tua nota de dez no bolço de trás. Ela entra no quarto, tira a roupa vai ao banheiro. O tempo passa, eu olho pra televisão desligada. O quarto quando você entra já vê a mesa de canto com um computador preto, ainda na entrada da porta, a tua direita, um guarda-roupa marrom com seis portas e lá... Depois dele o banheiro. Ela sai do banheiro com uma cueca preta, com os braços cruzados sobre os seios, com cabelos soltos, com a pele morena a mostra... Minha cama fica nesse meio... Cama, porta do banheiro e guarda-roupa... Ela passa... Para de costas em frente da cama, parece que esqueceu algo, que não sabe o que fazer agora- vem aqui?- chamo, pergunto, quase afirmo- passo a mão na barba, estico as pernas, respiro fundo, ela vira, me encara e sorri, não sei dizer sobre esse sorriso, sobre olhos, só sei pensar que a quero agora, do jeito que está, nesse sábado a atarde com o mundo correndo lá fora, com o sol queimando gente, com o mundo nos excluindo... Ela vem, deita de bruços- me encara. Deito de bruços também, a encaro- Oi?- ela me diz- você vem sempre aqui?- eu não aguento, dou risada, adoro quando faz que não me conhece- não, não venho- respondo- na verdade, eu estou aqui escondido- lhe digo- ela sorri- escondido?- sim- respondo- interessante, porque está aqui escondido?- ela me pergunta- minha namorada, ela não ia gostar nada, nada de me ver deitado  com você...-ela ri- mas não estamos fazendo nada...- fica vermelha, ela não sabe me dizer nada mais quente, apenas ri quando fica nervosa, ficando vermelha... É simples- não é isso que eu estou pensando... - respondo e coloco minha mão sobre suas costas nuas- ‘eu’ estou pensando... - tento dizer, mas ela não deixa, vira-se e me beija, levemente... - não vá contar a sua namorada em?- sorrimos- claro que não...- A beijo- eu acho até que ela já sabe...- ela me beija- eu tenho namorado também, então... Somos dois amantes?- ela sorri com os olhos, agora entendo o que é esse negocio de sorrir com os olhos, pois não da pra ficar sério com os olhos, fazer olhos de mau e depois sorrir (ao mesmo tempo) fica estranho, e ela me sorri, com os olhos e corpo, me abraçando-somos sim... - respondo, abraçando teu corpo... Ficando ali, com a pluralidade de mulheres que mora naquela mulher...”

Escutando ela cantar, lá em cima daquele palco com um violão preto parecendo estar feliz, ele sente uma lágrima, teimosa e salgada fugindo dos seus olhos.

Toma um gole da sua cerveja e depois se vira para o balcão, do bolço esquerdo da calça ele retira um bloco de anotações. O abre. Em seguida pega uma caneta dentro do palito e começa a escrever sobre o papel.

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Enquanto ela canta…

“….Depois que o mal tempo foi... Eu vi você chegando... Trazia o rosto doce, bom e aliviado nada mais incerto... Voltávamos a ser então o tal casal- Apaixonado, apaixonado….♪”

 

“Lobos pra lua. Hoje me teimei. Queimei-me. Lembrei-me de você. Fui lá e vi tuas fotografias. Eu, em meus estado e estilo de vida feliz, preciso, em alguns dias, lembrar de você, ver teu rosto, só pra eu ter certeza que passou que nada ficou e limpar o que restou. Obs. A música da Vanessa da Mata, ficou maravilhosa na tua voz”

Depois que escreve chama a balconista- Entrega isso pra mulher que está cantando?

-Sim senhor- a mulher pega o pequeno papel.

Então ele vai embora.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Desconstrói.

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Procuro, procurar, entender. Suspiro. Respiro e lhe digo, na verdade eu confesso, digo em sussurro, enquanto você lê um livro, enquanto o metro anda, enquanto a moça bonita senta e cruza as pernas e depois que as portas se fecham e minha cabeça em teu ombro sossega eu digo – desculpa- Você nem me olha, dos seus olhos vejo um sobrar, quem sabe ali more uma vontade de me encarar, me beijar? Não, seria muita positividade- me desculpa- peço outra vez, te imploro. Teu livro se fecha em suas mãos, tuas mãos seguram o livro. Teus olhos da sobra são agora o todo, todo meu. Tu me encaras. Teus olhos me encaram, teu corpo diz que me quer de um modo simples e fácil.

- porque você sempre faz isso?- tu me perguntas- desculpa? Não sei por que está pedindo isso-eu te olho, sua barba feita, seus lábios que ali hábito... - desculpa, já que só sei sorrir pra você, desculpa, mas quando você vai embora eu sinto sua falta, quero ficar aqui com você, pode ser pra te ver ler, eu sei que às vezes irrito que falo de mais, brinco de mais, sou irônica de mais- eu fecho meus olhos, mas o coração está aberto, é eu sou assim, brinco e brinco, mas sou séria quando tem que ser e às vezes parece ser nas horas erradas, eu te olho e você nada diz, minha boca fecha e meu coração quer dizer mais então você me diz- mas estamos em um metro, como quer ficar aqui?- e depois sorri, assim, como se eu não tivesse dito nada, falado nada. Teu celular grita e vibra, a moça da estação fala, a porta fecha, e a moça bonita levanta ‘próxima estação- liberdade’ você atende- Oi... Ah sim, como vai?... Não, mas eu te respondi li sim... Ficou muito bom... Sim estou e você?... Claro que vou! Peça... Gosto de frango com catupiry... Tudo bem... Beijos-Te olho e depois procuro o mundo, era ela. Ela- era a Jessica... Vou pra casa dela... - Eu faço que entendo, e por dentro faço que morro, morro na liberdade, e ali amaldiçoou aquela estação, nunca mais quero passar por aqui... Como ela faz isso? Como consegue? Em um pedido simples, com uma pizza e cerveja, suas roupas justas, seu cigarro caro e sua cama confortável... É porque a minha é de solteiro?- estou indo... – você me beija e não percebe que meu olhar está no chão com a sujeira do dia, com as pisadas dos outros, com a tua pisada e você se vai... Deve ser meu corpo, mas corpo eu tenho... Só não tenho coragem, essa me falta, não sei ser vulgar, muito menos te intimidar... Sou apenas a menina dos livros, aquela que te empresta, a que tem a cama de solteiro, a que não usa salto, a que gosta de comer pizza de atum e não gosta nem um pouco da frango com catupiry, não bebo e não fumo, não converso sobre os shows que aconteceram, dos bares pois estes não conheço, só sei falar das bandas que acabaram, dos livros que li e os que não li, da economia quem sabe? E às vezes te solto ironias... Lembra como nos conhecemos? Você rio quando eu respondi a tua pergunta tão besta

-Oi... Como você conseguiu entrar aqui?

-Por osmose...

Você ri.

-Sabe... - Tu me encaras- Boa resposta, mas é que eles estão organizando os livros, e me disseram que não era permitido entrar na biblioteca...

-Eu sei, mas...

Porque fui dizer, mas... Porque plantei a osmose no meio da conversa, porque te emprestei o meu cede do Chico Buarque, porque continuei te mandando e-mails, te ligando, por que você foi a tantos cinemas comigo... São tantas interrogações... Tantas.

Eu em meses. Ela consegue em dias.

Minha estação que chega. – próxima estação ‘Tucuruvi’...

Meus fones que dão um ar, um animo, me identifico com a batida e letra... Canto baixo...

“... Amou daquela vez como se fosse à última”.

Música- construção- Chico Buarque.

sábado, junho 19, 2010

Padecer.






Perdi tempo colocando dois pratos na mesa.
(Só esperando você chegar).
Ganhei tempo para ficar sozinha lendo.
Acumulei dias de longas caminhadas.
Estou ganhando a vida.
A chuva que veio.
O sol que já adormeceu.
As roupas com cheiro de mofo.
Meu cabelo crescendo e as linhas de expressão se fixando.
A juventude indo embora.
As folhas caindo.
Os livros gastos.
Pratos empoeirados.
As páginas brancas que agora tem um tom amarelado.
A chuva que já evaporou.
O sol que já nasceu.
Meu cabelo perdendo a cor.
E as linhas de expressão...
Que agora são tantas.
As caminhadas que agora são cansativas.
O tempo que agora perco lendo.
E estou dando adeus à vida.
E o seu amor de áureo que nunca mais retornou...



Inspiração: "All My Little Word:The Magnetic Fields"

Fotografia:NelsonAfonso


Texto:Lua.S