Mostrando postagens com marcador Eu usando o Chico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eu usando o Chico. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Desconstrói.

namani_cowdroy-450x616_large

Procuro, procurar, entender. Suspiro. Respiro e lhe digo, na verdade eu confesso, digo em sussurro, enquanto você lê um livro, enquanto o metro anda, enquanto a moça bonita senta e cruza as pernas e depois que as portas se fecham e minha cabeça em teu ombro sossega eu digo – desculpa- Você nem me olha, dos seus olhos vejo um sobrar, quem sabe ali more uma vontade de me encarar, me beijar? Não, seria muita positividade- me desculpa- peço outra vez, te imploro. Teu livro se fecha em suas mãos, tuas mãos seguram o livro. Teus olhos da sobra são agora o todo, todo meu. Tu me encaras. Teus olhos me encaram, teu corpo diz que me quer de um modo simples e fácil.

- porque você sempre faz isso?- tu me perguntas- desculpa? Não sei por que está pedindo isso-eu te olho, sua barba feita, seus lábios que ali hábito... - desculpa, já que só sei sorrir pra você, desculpa, mas quando você vai embora eu sinto sua falta, quero ficar aqui com você, pode ser pra te ver ler, eu sei que às vezes irrito que falo de mais, brinco de mais, sou irônica de mais- eu fecho meus olhos, mas o coração está aberto, é eu sou assim, brinco e brinco, mas sou séria quando tem que ser e às vezes parece ser nas horas erradas, eu te olho e você nada diz, minha boca fecha e meu coração quer dizer mais então você me diz- mas estamos em um metro, como quer ficar aqui?- e depois sorri, assim, como se eu não tivesse dito nada, falado nada. Teu celular grita e vibra, a moça da estação fala, a porta fecha, e a moça bonita levanta ‘próxima estação- liberdade’ você atende- Oi... Ah sim, como vai?... Não, mas eu te respondi li sim... Ficou muito bom... Sim estou e você?... Claro que vou! Peça... Gosto de frango com catupiry... Tudo bem... Beijos-Te olho e depois procuro o mundo, era ela. Ela- era a Jessica... Vou pra casa dela... - Eu faço que entendo, e por dentro faço que morro, morro na liberdade, e ali amaldiçoou aquela estação, nunca mais quero passar por aqui... Como ela faz isso? Como consegue? Em um pedido simples, com uma pizza e cerveja, suas roupas justas, seu cigarro caro e sua cama confortável... É porque a minha é de solteiro?- estou indo... – você me beija e não percebe que meu olhar está no chão com a sujeira do dia, com as pisadas dos outros, com a tua pisada e você se vai... Deve ser meu corpo, mas corpo eu tenho... Só não tenho coragem, essa me falta, não sei ser vulgar, muito menos te intimidar... Sou apenas a menina dos livros, aquela que te empresta, a que tem a cama de solteiro, a que não usa salto, a que gosta de comer pizza de atum e não gosta nem um pouco da frango com catupiry, não bebo e não fumo, não converso sobre os shows que aconteceram, dos bares pois estes não conheço, só sei falar das bandas que acabaram, dos livros que li e os que não li, da economia quem sabe? E às vezes te solto ironias... Lembra como nos conhecemos? Você rio quando eu respondi a tua pergunta tão besta

-Oi... Como você conseguiu entrar aqui?

-Por osmose...

Você ri.

-Sabe... - Tu me encaras- Boa resposta, mas é que eles estão organizando os livros, e me disseram que não era permitido entrar na biblioteca...

-Eu sei, mas...

Porque fui dizer, mas... Porque plantei a osmose no meio da conversa, porque te emprestei o meu cede do Chico Buarque, porque continuei te mandando e-mails, te ligando, por que você foi a tantos cinemas comigo... São tantas interrogações... Tantas.

Eu em meses. Ela consegue em dias.

Minha estação que chega. – próxima estação ‘Tucuruvi’...

Meus fones que dão um ar, um animo, me identifico com a batida e letra... Canto baixo...

“... Amou daquela vez como se fosse à última”.

Música- construção- Chico Buarque.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Não sei como te convencer... Não sei...

Olá... No último post, postei aqui um texto que fiz com o Carlo Lagos, alguns trechos  daquele texto eu fiz na hora e outros eu tirei de um texto que ainda não havia postado. Como li nos comentários alguns trechos do texto, e que esses trechos eram do texto que não postei resolvi então postar. Espero que gostem.

 

tumblr_lgbsnrY9eF1qgmaq5o1_500_large

Anoitece de dias claros, na tristeza da manhã que perdi, na noite que ganhei é que acho a minha alegria, que está ali escondida entre os beijos que vou te dar e os talvez de planos que faremos. “Já lhe dei meu corpo, minha alegria...” Sentarei na cama de pé com a vontade de ir te mostrar lá fora o que ainda não perdemos, sento na cama deitada com o teu desejo de me deixar ali, o mundo, se quiser, que espere e amanhã nos de outra manha, outro dia, mais um e quem sabe iremos. Terei a tristeza de dizer tchau, mas alegria de voltar é maior essa me consome. Não quero mais o querer de amar quero apenas a certeza de sentir. Quero chegar à beirada no prédio do medo e dizer que “estou indo embora, adeus” e pularei. Já te disse que lá atrás deixei a pessoa que por uma vida, amei. “Já estanquei meu sangue, quando fervia...” Digo-te agora alto entre sussurros surdos, que somos só nós, machucados e calejados, e que agora que me joguei não posso mais subir todos aqueles andares, tu es, pessoa, o começo do meu fim.(meu chão) As palavras ainda seriam fortes de mais, se eu dissesse “eu te amo”, seria cedo e precoce, seria tu a minha fruta verde, não teria gosto. “Deixe em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa...”.Quero apenas sentar ao teu lado “gosta desta música?” quero rir de você rindo de mim, das piadas que me pegam, das minhas mãos que te buscam, da sua certeza do certo, do meu duvidar do sempre. E vamos rir. Não posso lhe prometer algo sem dores, sem momentos de duvidas e recaídas sobre o passado, te prometo o meu ouvido, minhas mãos e braços, esses estarão a te esperar, os seus também, eu sei, estarão a me esperar. Prometo que farei o que mais tenho medo, superarei pesadelos, falarei devagar, terei paciência, serei muitas vezes plural e em outras singular, cobrarei de mim, te cobrarei, te largarei pra respirar e logo após irei te agarrar. Eu prometo que tentarei, e o meu tentar já é fazer, pois você é a esperança que move o meu tentar, o sentimento bom que meu coração bombeia. Dança que eu aprendi a gostar, a chuva boa no final de uma tarde quente, a pessoa que não sai da mente, que me irrito, discuto, brigo, e que depois... Rimos. Nós rimos. Você ira se irritar, me embriagar de curiosidades, você vai dizer um talvez em mente e sussurrar o silêncio pelas palavras, terá medo, terá vontade. Eu vou quebrar minhas regras, você suas leis e no final faremos o que dizemos no começo que “não”. E não, depois de um tempo, será de não demore, não desligue, não me esqueça... Corro risco de estar em um caminho sem volta, em uma avenida da eternidade e esse será o meu último romance... Arrisco. “... E qualquer desatenção, faça não pode ser a gota d'água...”. Entre os medos que enfrentaremos e as pessoas que existem entre nossos corações, te peço em segredo, em cada beijo e olhar, que não me machuque... Pois você sabe e ainda sente, que é dor de mais pra uma vida, e ter duas doses dessa dor... Seria a gota d’água.

Música: Gota d’água- Chico Buarque.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A Lua e o Arlequim.

 

Olá pessoas.

Pela primeira vez No recreio, temos uma parceria de textos. Graças ao bom Renato Russo e o facebook pude conversar com outro blogueiro Carlo Lagos, dono do blogue Fato sem palavras (visite ^^), e assim surgiu esporadicamente, a ideia de um texto.

Um texto que foi feito entre meu Chico Buarque e o poeta que habita nele. Espero que gostem, e eu também espero por outras parcerias (fica a dica).

Obs. Agradeço ao Carlo por essa parceria, nunca tinha tido a oportunidade de escrever com outro blogueiro ou qualquer coisa do gênero. Gostei bastante.

tumblr_legxeyUfRY1qb2egqo1_500_large

Te imaginei por tantas vezes nua entre a garoa de Sampa. Te imaginei tantas vezes brigando com esse cara que vejo no espelho e já tentei enfiar a mão por quatro vezes. Retalhar-me, me agredir na pista entre os versos singulares de nós mesmos não ia me fazer mais homem, menos romântico. Sentarei na cama de pé com a vontade de ir te mostrar lá fora o que ainda não perdemos, sento na cama deitada com o teu desejo de me deixar ali, o mundo, se quiser, que espere e amanhã nos de outra manha, outro dia, mais um e quem sabe iremos. Terei a tristeza de dizer tchau, mas alegria de voltar é maior e essa me consome. Por favor, sem ataque de maricas agora, mocinho, desamarre aquelas três fitas da Mãe Oxum que usaste como simpatia na semana passada. Solte também, bem de leve, o coração. Ame mais...em silêncio...a você mesmo. Algum dia o amor vai te acordar, vai te bater com espinhos de rosas vermelhas e algumas violetas para te alegrar. Posso trazer teu café se quiser, posso acender o próximo cigarro, sometimes, me sinto tão só, tão puto, tão profano em mim mesmo que guardo tais desejos de lhe ter aqui. De estar aí. Mas que segredos lhe conto, que tristezas que escondo de baixo de nossa cama, só pra te agradar.

Deve ser esse seu jeito rude, teu jeito de dizer que não dá, e depois me dizer que venha, venha logo, vai ser perigoso, mas já disse, eu quero. Sinto o delírio dos espinhos, o sangue que escorre, a pulsação que vem, penso que estou morrendo, transbordando em sentimentos, mas talvez esteja amando ou quem sabe apenas acordando. E este é você, o cara das minhas rosas, dos meus espinhos, o que brigo e depois ligo e digo “vem...”. Faço questão de te seguir, entre raios, entre noites mal terminadas em um bar da Lapa, entre as paredes rabiscadas com o seu batom vermelho com juras de amor eterno, até o amanhecer. Não me deixe mais sonhar com recados de ‘’bom dia, a nossa noite foi perfeita’’. Só tenho acordado com o vazio da cama, a voz delicada da Adriana Calcanhotto e o vazio do meu ser. Da falta que me falta poder morder delicadamente a tua nuca como quem aprecia um bom chocolate.

Corro risco de estar em um caminho sem volta, em uma avenida da eternidade e esse será o meu último romance... Arrisco. “... E qualquer desatenção, faça não pode ser a gota d'água...”. Entre os medos que enfrentaremos e as pessoas que existem entre nossos corações, te peço em segredo, em cada beijo e olhar, que não me machuque, pois você sabe e ainda sente, que é dor de mais pra uma vida, e ter duas doses dessa dor...Seria a gota d’água. Deixe escorrer entre os dedos os sentimentos ruins e deixe de nós o que for futuro. ‘’Deixe em paz meu coração’’. Não, não lhe peço que se ausente de forma total de minha vida e assim tornando maior o vazio em meu peito, menor o meu ser. Só te peço que me espere no porto. Estou pra desembarcar em breve, logo pisarei em terra firme, pois até então vivo viajando num niilismo que tomou conta de tudo. Não afogarei em nada a tua lembrança, o amor se criou em mim e ele há de saber como se alimentar, ou (sobre)viver.

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água... (Chico Buarque- gota 'd’água)

domingo, fevereiro 06, 2011

Lhe entrego em segredo um ‘Se’ ...

 

 

…Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir…

Dos olhos que já tinha visto, batatas e panturrilhas, dos cabelos e bocas, que já puxei e peguei dos corpos que já desvendei e depois me aprofundei. Aqui está o começo do meu fim... “Ah, se já perdemos a noção da hora”... O remédio que faltava, a reza que não sabia, a posição que nunca fiz, o labirinto que não entrei... Então é assim que é... Quando acontece, e não da pra explicar, as palavras escapam em sussurros ao pé do ouvido, pedidos de ‘quero mais’ se afogam em beijos roubados, tudo programado... “Se juntos já jogamos tudo fora”... Eu caio no escuro do seu teu cheiro, na claridade da certeza que te quero por mais umas horas... E horas... E horas... Quero escutar teu riso firme, tua fala, quando triste, lenta... Suas palavras, quando feliz, rápidas... São tuas babatas, braços, e barriga... É tua cabeça, coração, o colírio do espirito que aqui habita. Já não sei não querer... “Me conta agora como hei de partir...”Fingir que não posso e não devo, já imagino e vejo, quando fecho as cortinas dos meus olhos, eu que nem sei como tudo pode ir assim tão rápido me perco nos dias que ainda terei, nas camas e sofás, bancos e chão que teremos... “Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios...” A vontade que tem meus olhos de te ter, o desejo forte que tem meus braços de te ver, a minha boca, seca por querer te enxergar... Perco-me... Não me encontro mais, digam a eles que sumi que me perdi em um mundo que tanto desdenhei e agora vou compra-lo. Que só por essas horas não tenho medo, esqueço então que já cai, sopro e continuo... Arrisco, te risco da minha lista de ‘não poder’, te coloco no topo das que pra ‘sempre quero’, te quero conversar, te escuto a não falar, te peço beijos e aromas de ironia pra alegrar nossos dias. Entrego-te mundo, minhas dores. Entrego-te pessoa, uma chance e te peço me entregue as suas. Tuas tristezas, porque não juntar com as minhas? Nossas fraquezas, nossas lembranças... Dou-te a chance de sermos nós, quando for eu e você... “dou-te meus olhos pra tomares contas...”. Digo-te depois do fim do ato, que te gosto... Que quero comprar certezas ao passar dos dias, quero usar a chance, todas elas... Pra tentar... “Agora conta como hei de partir...”.

 

…Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu…

Então, junta as tuas tristezas com as minhas?