segunda-feira, maio 31, 2010

O filme da verdade ( part. 4)

Quando passou pela soletra da porta percebeu um ambiente que era bem próximo ao que estava, há algumas horas atrás.

- Calma-Renata sussurrou ao seu ouvido.

Caminhou lentamente até cama, tentando não reparar – tentando-mas não conseguiu o desejo de seus olhos de buscarem a realidade era mais forte que ele mesmo e então, reparou. Tinha vários papeis jogados no chão que e misturavam com jornais velhos mais pacotes vazios de bolachas, em cima de uma velha cômoda tinha garrafas vazias de rum e alguns discos de vinil, Rick forçou só um pouco as vistas para perceber que era um cd dos beatles “Revolver”; As cortinas, rosa bebe, estavam encardidas pelo tempo e o sol tentava, mas sem êxito, entrar no quarto que cheirava a velha frase “Sexo, drogas e rock’n’roll”, só que nesse caso sem sexo, pois dona Vitória, era a viúva a doze anos, e nunca mais voltara a se envolver com outro homem, dona Vitória tinha muitos defeitos, até de mais para uma única pessoa, mas uma qualidade a salvava fora fiel ao seu Antônio do Rosálho.
Com medo e mais uma série de sentimentos que o deixavam tonto, Rick se aproximou de uma cama velha, que tinha cheiro de velho, se aproximou o bastante para ver que a mãe provavelmente fazia dias que não tomava um banho e não se alimentava, seu corpo com certeza não passava dos 48 kilos; Rick não conseguiu disfarçar o quanto ficou chocado com aquilo, apesar de odiar a mãe profundamente Rick se viu naquela cama e percebeu que no estado em que estava a algumas horas atrás antes de Renata ir visitá-lo, poderia ser comparado com o de sua mãe facilmente.

- Menino...- dona Vitória abriu os olhos-Me traga uma cerveja, está bem?- dona Vitória colocou a mão na boca para tossir-E pegue uma para você também... – Olhou para Renata com os olhos apertados, como se estivesse tentando reconhecê-la e depois como se fosse apenas “ alguém muito parecido” voltou a falar com Rick calmamente- E pegue uma para você meu menino e ai poderemos conversar em?

- Mãe – as palavras quase não saiam, como poderia uma homem de quase 30 anos, não conseguir olhar para própria mãe não conseguir pensar em nada que fosse útil o bastante, e sem pensar,- quer dizer- sem quer pensar Rick apenas soltou a frase- Sim dona Vitória vou pegar... – Rick virou-se olhou nos olhos da Renata, que estavam úmidos e sua feição estava com desgosto de tudo aqui em sua volta, como se estivesse em chiqueiro ( e o pior, era que parecia mesmo).

Rick caminhou até porta, mais antes que conseguisse sair uma mão o puchou.

- Você não vai fazer isso- Renata disse com determinação.

- Escuta aqui – E tirou a mão da irmã de seu braço- Ela está morrendo está vendo? E eu vou atender esse último pedido, ela já está ruim uma mais ou a menos que porcaria de diferença faz?

- Você nunca gostou dela, que papo é esse de atender o último desejo...

- O papo é que... Eu... Eu... Cai na real ok? –Rick Surrou fortemente, mas pareci mais com um latido – Eu me vi ali entendeu? Eu estou muito confuso agora, um filme... Não sei, passou por minha cabeça, e... QUE DROGA! –E deu meia volta para ir pegar a tão desejada cerveja para dona Vitória.


-Re...- um leve sussurro de dona Vitória quebrou atenção-Venha cá... – vez dona Vitória, com a velha mão, que tinha algumas marcas roxas que seguiam pelo braço.

Renata sem conseguir dizer uma palavra se quer se aproximou daquela velha senhora, pálida com os olhos fundos e cabelos que oscilavam entre o castanho claro e branco

- Sim mãe...

- Estou tão feliz de ver meu filho...- dona Vitória disse como se estivesse falando sozinha - Não o vejo a alguns meses, sei que ele deve ter aprontado alguma coisa para aquela moça gentil ter o largado – E depois como se Renata tivesse surgido do além dona Vitória a encarou – Eu não fui a melhor mãe e nem ele foi um bom filho, foi mais um mal educado...

-Mãe!

- Mas...- Agora dona Vitória resolvera olhar para frente, precisamente para televisão, como se lá estivesse passando um filme, o filme de sua vida.- Ele não é uma má pessoa... Ah não, ele é bom, muito bom; Eu estou feliz pela cerveja, por ele ter aceitado meu pedido, mas na verdade só pedi por que queria ficar a sos com você querida...- Respirou profundamente e encarou Renata- Estou morrendo, a cada minuto que passa é um a menos para mim, diga seu irmão- E respirou profundamente- que perdôo ele... E que... è bom ele prestar atenção no filme também...

2 comentários:

Milla disse...

É verdade, acho que nós devemos parar mais tempo para prestar atenção no filme de nossas vidas.. estou adorando a continuação :)

beijos

Rebeca Postigo disse...

Hum...
Fabuloso!!!
*-*

Bjs