sexta-feira, março 11, 2011

Desabafando

Mas é comum Luana essa tal de tristeza?”( pergunto-me) – enquanto um professor fala alguma coisa sobre a crise de vinte e nove e os suicídios “to bonita hoje e você mal me olhou”- olho pro lado e você olha pra frente e eu também, olho pra frente. Sinto raiva de mim, raiva por às vezes sorrir tanto, fazer tantas brincadeiras, te alegrar, alegrar ela, alegrar os amigos e a família às vezes. “você, uma pessoa séria?” - você me pergunta enquanto descemos as escadas, “não se deixe levar pelas minhas brincadeiras”- digo séria e você nada diz, e tenho raiva de mim quando falo sério parece que estou dando bronca- quando não é oito é oitenta- descendo e descendo quarto andar- Está vendo quando não falo besteira ficamos sem assunto- digo, como se fosse uma suplica- converse comigo!- você só diz – é que estou com sono.

Na saída, na calçada, vamos conversando sobre como somos, você fala de seus defeitos e diz que quando me viu pela primeira vez pensou- essa é determinada, centrada, mas não imaginava que a ‘Luana’ era tão rebelde- eu apenas sorrio e digo – eu nem assistia essa novela. Na estação você abraça e cada um vai para um lado, e o tchau é inevitável, mas é só tchau.

Quando sento e vou lendo um livro que ganhei, e me encontro nas páginas “Morava sozinho. Sabia o nome de cinco pokemons. É sozinho”- rio quando o rapaz da história se encanta com menina que viu no metro e quando chega ao serviço escreve um belo texto sobre ela, e ele fica surpreso como algo tão bonito surge assim de um simples avistar. Quando saio do metro e caminho para o pondo de ônibus vou pensando que de nada vale as qualidades, e outras coisas “nem botou reparo em mim” caminho “sou tão chata assim?” caminho, “e ainda não me desceu o fora que uma amiga me deu ao desmarcar o encontro do fim de semana” caminho” a verdade é que nada realmente importa, a amizade nem é lá essas coisas a amizade só é boa e bonita pra mim, pra ela sou só alguém, pro menino da sala sou só alguém, para o rapaz que tanto tento ver há semanas sou só mais um alguém” passando por uma barraca “Moço quanto que tá?”- pego o dinheiro e ele diz “dois reais” e me entrega salgadinho” de cebola em” eu falo e ele me entrega e eu pago e vou caminhando “hoje quero me agradar à tristeza está presente no meu coração, Deus sabe ou alguma coisa maior no universo, sabe o quanto estou triste nessas semanas, sem pessoas de verdade para contar os sentimentos e as tempestades, sem alguém para me tirar dessa realidade e da um pouco de morfina, me fazer sorrir de bobeira arriscar e lembrar que a vida pode ser boa, em algum momento, ela pode ser boa”.

Pode passar- um rapaz, gordinho diz- obrigada- passo por ele, entro no ônibus, pego o dinheiro- é bom ser cavalheiro às vezes- ele me diz, eu pago e viro para responder- só faz isso por que o ônibus está vazio praticamente- e ele me diz que não, eu sento e ele pergunta se pode sentar também. Ele vem falando e falando “que vida agitada, que rapaz simpático” eu penso, responde algumas coisas, pergunto outras – É a empresa pagou o meu carnaval ainda- e ele mostra umas fitas do rio de janeiro, um broxe da Bahia- que foda!- eu digo e ele responde que “foda é outra coisa, que não faço faz tempo, aliás,” e ele vem falando, vamos rindo, ofereço salgadinho, falamos de comida, de internet, de blogue- eu tenho um blogue- eu digo sorrindo “orgulho de ter vocês aqui No recreio, sim já vou espalhando...”- eu tinha um, postei duas vezes- ele diz, e eu já vou confessando- tenho um faz três anos- ele fica surpreso e vamos falando, pega o e-mail e celular e diz que vai ligar e eu já vou respondendo a suas cantadas- comigo a dica é ‘tempo’ ele sempre ajuda em quase tudo...- ele não concorda falamos sobre esperar e eu lembro de um cara de sampa que há tempo tento ver. Vejo depois que minha hora descer está próximo – valeu César por ter aparecido assim, você alegrou a noite, e eu não estava nada bem, obrigada- vou levantando e ele me pergunta por que eu não estava bem e eu digo que depois lhe conto desço e venho andando pela rua vazia, e eu me sentindo um pouco feliz, mas ainda sim há um peso no meu coração... Não é hoje que vou conseguir definir este peso em palavras... Seria um texto grande, teria que ter mais palavras na boca, na mente, no coração... Não nego que tenho vontade de desistir de tudo, trabalhar juntar uma grana e sumir, mas tem uma pessoa que me pôs nesse mundo e é por ela que eu aguento todo dia, é por ela que eu sou forte, que estudo, que quero dar tudo o que puder dar, mas não nego que quero o nada do amanhã às vezes, quero morar ali e aqui, o meu coração está no mundo, e a verdade é que sou dona de uma tristeza e um vazio impar, sou assim... “mas você é tão legal...” tem gente que diz, e tem gente que nem diz, vai logo julgando e falando “ah é você que não faz nada...” deve ser não faço nada... Um dia coloco a minha cara a tapa e escrevo todos os detalhes da minha vida, não seria No recreio e sim “A vida da Luana” e seria tudo cru, como a minha vida muitas vezes ou a maior parte dela é, a outra parte ela foi toda ilusão... Amor em vão por um garoto que não estava nem ai, brigas e brigas, dificuldades e a realidade como ela é, nada de final feliz, nada de amor de verdade, até o hoje o único que senti de verdade foi o da minha mãe, mas confesso que precisava de outro tipo de amor...

7 comentários:

Jéssica disse...

Adorei seu blog e seu texto!
estou seguindo!
http://jessicahiorrana.blogspot.com/
grande beijo!

Marcelo Mayer disse...

literalmente poderia ser uma história de Charlie Brown

Dave disse...

Esse é o problema: "Precisar de amor" é justamente quando não se precisa e se está bem consigo mesmo, que ele acontece, aparece e se apresenta. Caso contrário... Triste, dizer, mas ele muitas vezes... Não vem.

Beijo!

Fernanda disse...

Sério, você escreve muito bem. Adorei seu texto!

Manuella Monte Santo disse...

Flor, cada vez que leio seus textos dá para sentir alguns pedaços teus. Realmente não se pode saber se tudo sobre alguém em algumas palavras, mas sem duvida há muito nas entrelinhas não é mesmo?
O fato de fica triste ocorre até com que tem esse outro tipo de amor que você deseja, mas como você me disse outro dia, temos a escolha de estar feliz ou não.


Beijos.

=)

Daniela Filipini disse...

As coisas como elas são. A vida como ela é. Lindo.

Gabriela Freitas disse...

Sempre intensa.