sábado, outubro 16, 2010

Um quarto, retrato... Lembranças.

Quando entrei naquele quarto vazio, branco, algo dentro de mim ficou estufado e dolorido, minha respiração estava difícil de sair e meu coração estava acelerado, senti meu rosto ficar quente, as lágrimas começaram a descer, eu fiquei ali vendo um filme que passava em minha mente, um filme que eu produzi um sucesso. A melhor coisa que fiz na minha vida.
Mãe?
Passei a mão no rosto e respirei fundo- Oi filha- abri os braços ela veio e se entregou como sempre faz desde pequena em meus braços e me abraçou forte.
Meu anjinho me soltou e segurou o meu rosto com as suas mãos, hoje de mulher, mas que para mim sempre será de uma menininha- Você está bem mãe?- ela foi arrastando a mão pelo meu cabelo e me abraçou outra vez com mais força- Mãe, você estava chorando?
Não sei mentir para você não é mesmo?- confessei e respirei fundo outra vez, meus olhos vermelhos me entregaram- sim estava chorando filha, mas eu estou bem, é saudade, apenas isso.
Mãe- ela me encarou- minha casa está há meia hora daqui a senhora sabe que é só chamar que eu venho.
Eu sei filha. Eu sei... - comecei a caminhar pelo quarto- parece que foi outro dia em que entrei aqui e você estava em um berço brincando, aprendendo a falar “urso” porque essa foi a sua primeira palavra- então minha feição me entregou.
Mãe, a senhora ficou chateada só por que a minha primeira palavra não foi “mamãe?”- ela veio até mim e segurou na minha mão- a senhora é tão sentimental mãe.
Sentimental? Filha quando você for mãe- olhei para barriga dela- daqui a uns cinco meses né?- demos risadas- você ira saber como é ser mãe e as suas preocupações.
É mãe, eu sei. Mas agora eu tenho que ir o Sandro está lá embaixo me esperando, mais tarde eu ligo para a senhora tá bom?- ela me beijou e me abraçou de novo.
Tá bom filha, vai com Deus.
Ver a minha menininha, quer dizer, aquela mulher, saindo pela porta foi como perder alguma parte necessária do meu corpo, não adiantaria, ela estaria por perto, estaria sempre me ligando, mas não estaria aqui, vivendo comigo, me chamando no meio da noite com medo dos pesadelos ou querendo que eu brinque de boneca com ela. Ela não estaria aqui e esse fato era o que me deixava carregada de saudades. Por outro lado eu ganharia um neto, que eu já o amava há tempos e que aquele quarto seria dele também, iria prepara-lo especialmente para aquele garotinho que vai chegar bagunçar e alegrar a minha casa e o melhor, a minha vida, era como ter outro filho, só que agora teria mais tempo para curtir. Então, meu coração foi inundado de uma alegria e amor sem tamanho.
Respirei fundo e disse para aquele quarto vazio e para os deuses- Vou ser vovó. - sorri e caminhei para porta, deixando ali lembranças e saudades, novas expectativas e muitas alegria.

3 comentários:

Luria Corrêa . disse...

que lindo texto Lu *-* Despedidas são dolorosas, imagine então para mães, e sinam dar vida e depois liberdade ...

beijos flor :)

Nina disse...

Oi querida, td bem??? Obrigada pelo comentário. Me deixou muito feliz!!!

Adorei teu blog. Tô seguindo...

http://doce-meio-amargo.blogspot.com/

Bjos no coração

Nina

Betty Gaeta disse...

Oi Lu,
Não dá para acreditar que vc sendo tão nova consiga escrever um conto como este. Em algum lugar vc já foi mãe e avó, pode ter certeza.
Bjkas e uma ótima semana para vc.

http://gostodistonew.blogspot.com/