sexta-feira, outubro 21, 2011

Pequei

Suas mãos macias soltaram a faca que e em um estralo seco pousou no chão. Ela ergueu aquelas mãos tão brancas e encarou o esmalte vermelho em suas unhas que se misturava ao sangue e por vários minutos não soube dizer se tinha apenas borrado as unhas ou se aquilo abraçado em suas mãos era mesmo sangue. Respirou profundamente fechando levemente os olhos para aquele aroma avassalador tomar conta de seus pulmões e esses como se esperasse a tempo por aquele presente arrepiaram sua pele, seus braços magros e suas coxas rochas de frio. Era sangue.

Quando se virou em um susto seus olhos foram de encontro a outros tão indecisos quanto os dela e aqueles perguntaram- O que fizemos?

Melissa virou-se novamente para encarar a faca e mais adiante aquele homem, em um sussurro que parecia uma prece ela disse- acabou.

No segundo seguinte alguém abriu a porta e a pegou pelos braços, Melissa não queria ir, seu desejo era ficar ali e ver o sangue escorrendo do corpo daquele homem que pela primeira vez a encarava com olhos de perdão, mas ela nada conseguiu dizer, estava fora de si quando sua mãe as pressas a pegou pelos braços e depois a agasalhou, entre um botão que se fechava e um olhar preocupado sua mãe lhe dizia- vai ficar tudo bem, você estava se defendendo não é mesmo?- e a abraçava. Melissa não queria dividir aquele momento com a mãe.

Mais tarde na casa de sua tia, Melissa ainda aproximava suas mãos brancas do rosto, queria sentir aquele cheiro novamente, mas o que veio de encontro àqueles pulmões era apenas um cheiro doce e suave de creme pós-banho. Fechou seus olhos como se fosse fazer uma prece e suas mãos em um encontro se aconchegaram entre as suas pernas, estava frio e Melissa sentia seu corpo queimar- o que eu fiz?- ela se perguntou, seu corpo gritava por socorro e seus braços começaram a tremer, sentiu-se um monstro por desejar voltar a aquele quarto e fazer tudo de novo largar aquela faca pesada no chão e em seguida sentir aquele cheiro de sangue fresco. Quando Melissa dormiu o corpo ainda estava naquele quarto, agora marcado por um acontecimento tão fúnebre, os policias procuravam por vestígios e uma medica legista por provas. O corpo estava estirado entre a cama e a porta, com a face para cima encarando o céu como se agradece a Deus por aquele momento de libertação.

Naquela noite Melissa sonhou diversas vezes com aquele homem, uma faca e muito sangue.

 

 

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2 comentários:

Luna Sanchez disse...

Nossa, eu também teria sonhado.

Intenso. Gostei muito.

=*

Manuella Monte Santo disse...

Ainda não tinha lida um texto seu com esse ar de suspense. Gostei bastante.

Beijo