segunda-feira, novembro 21, 2011

Você nas minhas palavras.

 

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Certas coisas precisam de tempo para acontecer. Outras precisam de vontade, na verdade as duas juntas necessitam de muita paciência, sem esta nada da certo.

Sabe aquilo que dizem que tudo tem o seu tempo? Então, eu precisei de muito tempo para entender o tempo e muitas vezes a paciência falhou “a carne é fraca” sabe?

Numa noite, enquanto todos estavam dormindo, resolvi encarar o meu passado peguei um diário do ano de 2007, todos temos um ano do qual nunca vamos esquecer eu não sei se terei outros anos assim ‘ inesquecíveis’, espero que sim, mas por enquanto o que me resta é o bom e velho, 2007. Antes de abrir o diário e encarar as minhas palavras eu peguei um copo de uísque com gelo, eu queria me preparar ‘seéquevocêmeentende’, sentei no chão, aumentei o volume do som, só pra criar um clima, então comecei a ler.

Cada palavra mostrava-me como eu havia mudado, evoluído. Tirando os erros de português e a grafia horrível, tudo estava seguindo o roteiro que, aliás, eu lembrava perfeitamente, impressionante como me recordava daquele ano claramente, mesmo lendo o diário eu sabia o que viria na próxima folha e lembrava até de como me sentia naquele dia, em qual lugar estava ou se era segunda ou terça feira. A cada página mais próxima da tragédia, a minha tragédia grega, eu sentia um frio na barriga, minhas mão começaram a soar e por alguns segundo eu pensei que não iria aguentar ler as minhas palavras, extremamente profundas, sobre como eu me sentia por você ter me deixado.

Até que eu cheguei no dia dois de agosto de 2007, o dia da minha tragédia grega.

Quando comecei a ler pensei que não iria aguentar, porém não me enxerguei mais naquelas palavras nem senti a dor que elas transmitiam, agora eu sou apenas uma leitora. Apesar de algumas partes terem me tocado não era mais como em outros tempos em que eu facilmente ficava abalava e caia em lágrimas, desta vez li tudo atentamente e o copo de uísque ficou intacto.

Naquela noite, quando fui dormir, escrevi no novo diário que o tempo passou, daqui do presente eu sinto que passou rápido, porém quando me recordo das palavras de dor percebo que o tempo não passou tão rápido assim, para se aprender algo é preciso tempo e prática, durante todos esses anos em que tive tempo, eu pratiquei e pratiquei. Antes de ler aquele diário, sentia me perdida e com medo de encara-lo, medo de sentir que precisava de mais tempo para mais aprendizado, para poder esquecer as coisas ruins e extrair apenas os bons frutos, mas quando li, quando ‘eu me li’ percebi que por mais que recordasse daquele ano, afinal não tem como esquecer, não sinto mais dores e não preciso mais lutar contra isso. Finalmente escrevi em uma folha em branco que estava pronta e se diagnóstico estivesse correto eu poderia caminhar livremente sem esbarrar em nada que me sugasse para perto do mofo das minhas palavras tristes sobre você. Não quero ser hipócrita e dizer que o tempo venceu e que não sinto mais nada, que não me lembro de você nem dos poucos momentos que passamos juntos, do seu cheiro e dos seus abraços, eu lembro de tudo, as vezes até do que não precisava lembrar, mas agora tudo é diferente não estou esperando você voltar, não faço coisas pensando no que você iria dizer ou que você iria pensar, não compro e nem gosto mais de coisas que ‘você gostava’ só para me sentir que estamos na mesma sintonia. Apenas disse para o tempo que iria aceita a sua companhia e obedecer atentamente, na verdade, eu cedi viver de dor não é viver. Então peguei o meu amor por você dobrei e guardei no fundo do meu coração. Você não sabe, e penso eu que nunca vai saber, o quanto eu sofri e aprendi por perder você. Hoje eu estou leve e com planos em mente, com um coração pedindo pra ser aquecido, com a mente pedindo por boas lembranças e uma vida que me chama.

Estou com o ontem guardado no peito e algumas coisas me sobem por não descerem direito, eu sei que preciso trabalhar a minha alergia a hipocrisia e minhas teorias pra lá de esquisitas, eu sei! Eu estou tentando dizer que superei você não as outras coisas que a vida me jogou goela a baixo, mas estou com o amanhã engatilhado num copo de vitamina e logo de manhã descendo aquela avenida, com o vento passando pelos meus cabelos castanhos, eu vou cantando, dançando e dizendo para o mundo que ser feliz é um estado de espírito.

3 comentários:

Rebeca Postigo disse...

É bom quando a dor de outrora não nos afeta mais...
Lembranças são perpétuas, todavia a dor não!!!
Belo texto!!!

Bjs

Manuella Monte Santo disse...

Sofrimento não é eterno, mas vale como aprendizagem.


Beijos.

Luna Sanchez disse...

Foi um ato corajoso, Luana, esse de experimentar a pele que te vestia antes, mesmo sabendo que poderia ter uma sensação de claustrofobia.

Achei ótimo teu texto, parabéns!

Um beijo.