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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Não seja prolixo- Fim.

 

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-Eu estava com ele todo esse tempo.

-Cretina!

-Tentei terminar tudo, mas não consegui.

- “Prazer sou o Fernando noivo da Miúda!”- Lucia tenta imitar uma voz masculina- Noivos! E você me diz que tentou terminar?!

-Lu...

-Não me chama de Lu Miranda, que porra!-Lucia passa mão pelos cabelos- O que você acha... Quem você que é? Em?

-Eu amo o Fernando Lu... Lucia. Até te conhecer eu tinha certeza que ele era o único homem da minha vida, e é. Mas... Eu não sabia que gostava de mulher, eu não gosto de mulher! Você foi à primeira, e única. Eu te amo. É verdade. Mas isso tudo é diferente pra mim, como posso terminar com o homem que eu amo? Eu tentei juro que tentei. O Fernando sabe que eu o amo, apensar de ter dito tudo o que eu disse, eu tentei. Eu ia terminar com ele...

-Por quê?... Isso não é justo!

- Eu não ia ficar com você também Lu... Lucia! Que merda! Eu vou te chamar de Lu como sempre chamei. Eu não ia ficar com você Lucia! Queria acabar com tudo, ir embora! Parar com isso, isso não é certo. Ele me ama. E você também me ama! E eu amo os dois porra!

-Mas resolveu se casar com ele.

-Eu sei.

-E eu Mi?

-Eu vou me casar. Não posso viver sem ele....

-Quanto a nós!

-Eu te amo... Mas eu vou me casar. Eu não tenho estômago para assumir nada disso, nós... Eu e você. Eu disse, é só você... Eu nunca.

-Entendi!

Miúda abaixa a cabeça, sente um peso de em seus ombros, hoje foi um dia bem puxado.

Lucia deixa o elevador subir.

Quando elas saem. Lucia entra pela porta da saída de emergência. Miúda vai atrás dela e senta no primeiro degrau.

-Me perdoa?

Lucia para. Vira-se – Eu te amo Mi. Eu já fiquei com muitas mulheres, você sabe disso. Mas quando te conheci foi mágico, eu descobri o que era amor, com você.

Miúda abaixa a cabeça, não sabe o que dizer. Então sente as mãos de Lucia no seu rosto. Lucia senta no seu colo, de frente para ela, coloca as mão em seus cabelos.

-Eu te amo Mi- sussurra em seu ouvido.

-Para com isso, se alguém entra aqui...

-Ninguém vai entrar. - Lucia passa os dedos nos lábios de Miúda- Eu quero você, pra sempre.

-Lu, não complique as coisas.

-Eu aceito, assim... Mesmo você se casando, ninguém nunca vai saber você pode até me convidar para ser madrinha. - Lucia sorria.

-Você é louca!

-Completamente.

-Fiz tudo isso...

-pra acabar no começo, para terminar como começou...

- Por que tudo tem que ser tão complicado Lu?

-Porque você é complicada Mi...

-Eu sou prolixa.

Então ficamos assim, entre o certo e o errado. Entre amar e ser só, viver só, ser quase nada em um mundo onde o coração sempre manda. Sempre.

Lucia, só tinha olhos, boca e corpo para Miúda, sabia que se não tivesse mais aquela mulher não queria e não conseguiria amar mais nenhuma. Não era fácil ser a outra. Queria mais do que só algumas noites ou alguns momentos. Mas era a única saída que encontrava para ficar com Miúda.

Fernando, só tinha olhos para aquela mulher, aquela. Sabe? Miúda. Assim que saiu do serviço dela foi logo comprar duas alianças, lindas, grande, e caras para o casamento. Ele a amava. Destino e acaso. Iriam se casar.

Miúda. Bem... Miúda é uma mulher como qualquer outra, quem nunca ficou entre dois amores? Mesmo que a outra seja uma mulher, não tem problema, é amor. Amor não tem cor, sexo, raça. Amor é amor. É algo maior do que nós, que nos domina, que nos move.

 

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E Do narrador.

não vai adiantar nada uma vida repleta de definições de certo e errado um dia alguém vai chegar e acabar com os seus conceitos, suas certezas, abrir todas as fechaduras do seu coração e sumir com a chave. Essa pessoa vai te beijar loucamente, intensamente, apaixonadamente. E dizer “eu te amo”, constantemente. Você vai mudar vai deixar os amigos, família e vai respirar e comer essa paixão vai lutar chorar, gritar, por ele, por ela. Por vocês. Você vai criar manias, rotinas, rituais, sábado a noite sua casa domingo a casa dele, e todos os meses será um a mais juntos, os filmes as músicas, tudo vai ter a cara de vocês. Nosso.

Um dia ele vai embora ou ela vai dizer adeus, sabe? Aquele acordo “eu entro com abunda e você com o pé”. E quando ele se for você vai continuar aprendendo com ele, por que ele deixou saudade e ela deixou o perfume na sua cama e ai você vai aprender a não matar a saudade e se acostumar com um travesseiro cheiroso de lembranças aromáticas.

E depois de um tempo seus amigos vão te dizer que você precisa de outra, de outro. Outros. E você vai tentar, vai dizer que não gosta daquela música ou daquele filme, por que são horríveis mesmo, mas a verdade é que você lembra-se do seu ex amor, que na verdade nem é EX. e sim o “pra sempre”. Você vai mentir pra si mesmo, vai dizer que passou e que agora tem um “coração de pedra”. Que prefere ter um caso ali e outro aqui, mas na verdade só quer um corpo e um coração. Você será prolixo. Por que toda noite quando deitar é dele que você irá lembrar. Mesmo que do outro lado da cama esteja ocupado por outra. Por outro.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Não seja prolixo- penúltima parte.

 

Tem hora que não da adiar nem mentir. Porque a até mentira nos cansa.

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-Oi Mi!

-Oi- Miúda mal consegue respirar, Lucia aqui! “Eu havia combinado de passar lá mais tarde, o que ela faz aqui?”

-Como vai?-Fernando estende a mão- Sou o Fernando, noivo da Miúda.

-Noivo?- Lucia ri- Prazer- estende a mão- Me chamo Lucia- ela ri outra vez, mas acho que isso, você já sabe.

-Vocês trabalham juntas?- Fernando pergunta.

Lucia encara Miúda, nenhuma das duas sabe o que responder, as palavras faltam, mas Fernando não percebe nada, está nas nuvens então Lucia, mais uma vez, decide quebrar o silêncio.

-Não, não trabalhamos juntas...

-Nós estudamos juntas- Miúda confessa.

-Ah sim. - Fernando abraça Miúda- Lucia, você poderia nos dar alguns minutinhos? Eu já estou de saída.

-Claro Fe. - Lucia sai Fernando não percebe, mas ela estava quase chorando, Miúda também percebe o estrago que fez a palhaçada que continua fazendo.

-Tudo bem em dizer que sou seu noivo?

Miúda não responde, ainda está com os pensamentos na “palhaçada”.

-Eu sei que você não me respondeu quando te fiz o pedido na última noite em que passamos juntos...

-Claro... Quer dizer, sim.

Fernando sorri.

Miúda sorri esta realmente feliz. Mas por dentro algo lhe corrói. Ama Fernando isso é fato, mas ama Lucia também, tentou de todas as maneiras para com isso, ser de duas pessoas, mentir para Fernando e também para Lucia, isso não era certo. Mas ficar triste, só e não satisfazer as próprias vontades, isso era certo também?

Ela sabia trair, mentir, isso não é certo. Sabia o que não era certo. Mas nem sempre gostamos do certo, ou seguimos pelo caminho da certeza.

Abraçou Fernando e sussurrou em seu ouvido- Meu amor me desculpe.

Miúda toma uma decisão ali, sabia que agora Lucia já era. Que Fernando já havia se esquecido de tudo, e como era tão apaixonado por ela não iria nem querer saber por que ela tinha feito aquilo, ele com certeza pensa que Miúda é uma mulher muito complicada, que deve ter ficado com medo, aliás, ele a pediu em casamento! Não é mais tão comum hoje em dia.

-Claro meu amor, aliás, isso tudo já é passado, eu sei que você deve ter ficado assustada... - Fernando a beija.

“Assustada? Eu estava apenas tentando acabar com tudo, rodei, rodei para fugir de você, de Lucia, mas não consegui, o mundo tem provas que tentei ser correta, mas e meu coração? Meu coração não escolhe quem é correto ou não.”- apenas pensa.

-Vamos nos casar!- Miúda grita.

-Sim!

As pessoas da mesa ao lado, nada entendem, apenas descobrem que o casal ao lado, como qualquer outro decide se casar.

Eles se abraçam novamente. Fernando diz que precisa ir trabalhar e Miúda concorda, diz que no fim de semana vão comemorar. Ele aceita. E vai embora.

Miúda vai para sua sala, com metade do seu corpo mais leve, com o coração ou pelo menos parte dele, mais calmo, é o amor. Ama Fernando. Ama o acaso.

Mas quando chega ao elevador, tem mais uma surpresa, lá está Lucia parada bem frente ao elevador. Miúda sente a outra parte do seu corpo pesar. A parte de seu corpo que ama Lucia, aquela menina-mulher, que conheceu sem querer e que descobriu sem querer que o carinho que tinha por ela, era mais que carinho de amiga, era mais que abraços ingênuos. Era amor, quando sentiu o toque de Lucia em seu corpo pela primeira sabia que aquilo não era normal, no começo não aceitou, disse que não gostava daquilo, mas no final se perdeu naquela cama, naqueles beijos, naquelas caricias. (Mas isso fica para outro conto)

-OI Mi.- Lucia parecia ter chorado muito.

-Oi Lu...

-Vai subir?

-Sim.

As duas entram no elevador. Miúda acha estranho “por que ela vai subir também?” Mas logo tem a resposta.

Lucia para o elevador.

-O que você está fazendo?!- Miúda pergunta.

-Vamos conversar!

-Aqui?

-Claro!

-Aqui não, você está louca, faz esse elevador andar!

-Não, temos que conversar!

-Lucia! Estou no meu local de trabalho.

-Não me interessa, eu vim te fazer uma surpresa e quando chego aqui você está com aquele babaca, o que era aquilo em Miranda?!

- O que era aquilo? Bem... É aquilo que você viu. - Miúda tem se explicar.

-“ Te vejo mais tarde” foi isso que você me disse!

-E eu ia!

-Mas estava aqui com ele! Quem me garante que você tinha mesmo terminado com ele em? Quem me garante que nesses últimos três meses você não estava lá dando pra ele!

Lucia está gritando, chorando, e na frente dos botões do elevador, Miúda nem pensa em tentar chegar até eles. Sabe que vai ter que dizer a verdade a Lucia.

Continua…

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Não seja prolixo- Parte cinco

 

 

As vezes tentamos sair do caminho errado. Mas quando o caminho errado é amar. Tudo fica diferente.

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Miúda está sentada do outro lado da mesa. Fernando a encara sente vontade de beija-la de tirar a sua roupa, ali mesmo, de ter o corpo dela, aquele corpo que sempre desejou, amou e cuidou.

-Então... - Fernando começa- Não me enrole com esse café você sabe muito bem que não vim aqui para isso.

-Eu sei.

-Sabe.

-É o fim.

-Miranda, olha pra mim!

-Estou olhando.

-Não está!- as pessoas da mesa ao lado olham assustadas- Desculpa. Miranda- Fernando respira fundo- Olha pra mim.

Miúda o encara.

- Agora me fala o que significa toda essa palhaçada.

-Eu não e amo

-O que?

-Eu não te amo.

Fernando a encara. “Não quer acreditar, seria melhor se estivesse doente”.

-Porque Miúda? Como, depois de todos esses anos...

Miúda não responde.

-Olha pra mim porra!

Miúda olha, seus olhos estão marejados, nem ela sabe o que está dizendo.

As pessoas da mesa ao lado começam a comentar. Desta fez Fernando não se desculpa muito pelo contrário, vai até Miúda e a Beija.

Miúda não se meche, deixa ser beijada, gosta, o abraça forte, ah aquele cheiro.

Fernando a aperta em seus braços fica feliz por ela não desistir, e sente fé novamente, fé que eles podem voltar e tudo da certo.

Miúda o encara. Fernando, sempre assim esperançoso, nunca desiste, sempre com fé, sempre com coragem, sempre. Ela estende o braço, passa mão em seu rosto, ele não recua, deixa ser acariciado, estava com saudade. Ela também.

-Miúda- O coração dela dispara finalmente ele resolve chama-la pelo apelido- Depois disso, como explica o que acabou de me dizer?- Fernando não a deixa responder sabe que a mulher que ama tem seus dias, mas além de ter aqueles dias, é muito complicada e teimosa. - Está sentindo isso?- Ele aperta em seus braços.

-Sim- ela diz em um sussurro.

-Nos amamos Miúda. Eu amo você e você me ama...

-Que lindos!- Miúda em susto sai dos braços de Fernando e olha para trás de si e lá está ela, linda, alta e loira.

Em um sussurro Miúda diz: Lucia?!

Continua…

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Não seja prolixo- Primeira parte.

 

“Quem revelará o mistério que tenha fé
e quantos segredos traz o coração de uma mulher-Sinônimos”
(Zé ramalho)

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Dezoito de abril de 2007- 18h35min

Porque você não pode ser o certo, porque tem sempre que me amar tem que cuidar de mim, me abraçar quando não quero e quando quero. Mas isso você não sabe. Não sabe que eu não te desejo e que não faço planos para nós dois, que sinto a tua falta só quando faz muito tempo que não beijo ninguém. Que na minha mente você é só mais um, um cara com quem eu saio, uma pessoa que eu calculo cada passo planejo dizer saudade, manipulo cada conversa e falo verdades no meio de cada brincadeira. Mas você não vê, nem sente e o que sente, acha que é para nós dois e isso basta, acha que seu amor me alimenta e me contagia, mas na verdade me repeli e me faz questionar, porque você não pode ser o certo? Porque não consigo te amar? E por que cada vez que fico mais perto de você é de outro que sinto falta, é de outro que quero sentir o cheiro, que quero um beijo que quero um abraço apertado “... Abraço apertado suspiro dobrado de amor sem fim. .”.

Você não cre que eu não te amo, e nem percebe nem de longe que eu sofro ao te encarcar e que quando você fica perto demais tenho vontade de correr, de sumir...

Desculpa... Mas é o fim.

Abraços. Miranda, ou melhor... Miúda.

-Miúda?

- Oi amor...

- O que está fazendo ai? Poxa faz mó tempo que não ficamos juntas e quando temos tempo você não sai desse computador.

-Desculpa- Miúda clica no ‘enviar’ da página e depois confirma se foi mesmo enviado. Sai da cadeira e caminha em direção à cama. Antes aumenta o rádio que está em uma estação que Lucia gosta muito... “Que beijinho doce♪” Miúda sorri para si e pensa-“ que conhecidencia

- Isso deita aqui- Lucia abra um sorriso como se tivesse conseguido ganhar o mundo. - O que estava fazendo lá?

-Ah- Miúda se acomoda na cama, fica bem próxima de Lucia e começa a mecher em seus cabelos loiros- Estava vendo se as notas finas já sairam.

- E saiu?

- O que?

Lucia ri Miúda sempre distante- Aa notas Miúda, não era isso que você estava vendo?

- Ah sim- Miúda sorri- Não sairam.

Lucia se aconchegou de baixo do braço de Miúda e acaricia a sua barriga, sente-se feliz por estar com a amada, sentia tanta falta, sabia que momentos como esse eram raros.

 

Continua.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Parte 4: O encontro

“Estranho é tudo o que eu não conheço. Novo é tudo aquilo que meus olhos não conseguiram achar comum. Ainda não sei o que eu sinto por você, às vezes é novo e estranho, mas acho que pode ser amor. Um estranho e novo amor. Estranho para o meu coração e novo para os meus olhos” Em alguma tarde. Em algum lugar.

Depois que leu aquele bilhete, ele refletiu sobre o longo mês complicado que teve e viu que nada que lera fazia sentido na sua vida pensou até em jogar fora, mas preferiu guardá-lo no bolso da calça, só guardara, pois as palavras lhe chamaram a atenção, apesar de serem simples palavras de um estranho.

-Tudo bem eu faço outro para você-disse a mulher batendo a caneta levemente na mesa, onde havia muitas revistas e papeis de anotações.

- Como assim outro? – disse o homem em vos alterada-Miúda!- continuou o homem - você está louca querida? Quero essa matéria para ontem na minha mesa.

-Cláudio! Eu não tinha terminado mesmo, eu posso fazer uma nova matéria! – pediu a moça.

-Oh minha querida Miúda, acho que você não está me entendendo, eu quero essa matéria, não quero outra, quero aquela que você me apresentou há dois dias.

- Mas Cláudio...

-Sem mais querida, quero isso para amanhã de manhã-disse ele passando a mão no rosto dela e terminou dizendo-estou sendo muito bonzinho, com você.
E ela apenas sorriu.

Não estava nada dando certo naquele dia. Dês da hora em que levantará da cama até agora e não sabia onde teria colocado os rascunhos daquela matéria e nem ao menos se lembrava de como seria esses rascunhos, sua memória nunca a ajudava. E mesmo se lembrasse daquelas palavras ainda faltariam muitas coisas, pois quando escrevera, estava inspirada, estava feliz. E infelizmente, mesmo que ficasse inspirada outra vez, não conseguiria escrever igual ao último texto.


È sempre assim, fazemos coisas tão simples, que nem nós mesmos, autores da obra, reconhecemos o tão importante ela pode se tornar. Para depois, um dia alguém dizer que,aquela simples ação, que você em tão pouco minutos fez, pode lhe render uma promoção, e esse foi o caso de Miúda. No dia em que Miúda escreveu em um papel um belo texto, ela mal sabia que tinha um bilhete premiado na mão.
Mas parece que depois de perdê-lo ela percebeu a chance que ela tinha em mãos.

- E um dia tudo se perde-disse ela olhando para uma foto que carregava dentro da agenda por onde fosse-Ah vida cruel!- continuou ela se apoiando na mesa.